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Economia

Dólar sobe e Bolsa recua com impasse em negociações entre EUA e Irã

Impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano eleva preços do petróleo, reforça preocupações com inflação global e amplia busca por ativos de segurança

Redação Jornal de Brasília

21/05/2026 12h34

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar sobe nesta quinta-feira (21), com o pessimismo dos investidores em relação a um acordo entre EUA e Irã aumentando a busca por ativos de segurança.

Durante o pregão, o cenário geopolítico também reacende os temores de inflação e juros globais elevados, à medida que os preços do petróleo voltam a subir.

Por volta das 11h30, a moeda norte-americana avançava 0,15%, a R$ 5,010, em linha com o exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,30%.

No mesmo horário, a Bolsa recuava 0,49%, aos 176.475 pontos. O desempenho ia na contramão das ações da Petrobras, que avançavam mais de 1%, e do setor petrolífero como um todo, beneficiados pela alta do petróleo.

O dia é marcado por impasse nas negociações entre EUA e Irã. Segundo porta-vozes de alto escalão do regime disseram à Reuters, Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, emitiu uma diretriz de que o urânio do país não deve ser enviado ao exterior.

Autoridades israelenses disseram à agência de notícias que Trump garantiu a Israel que o estoque de urânio de Teerã será enviado para fora do Irã e que qualquer acordo de paz incluirá uma cláusula sobre o tema.

As principais autoridades do Irã, segundo as pessoas ouvidas pela Reuters, acreditam que enviar o material para o exterior deixaria o país mais vulnerável a futuros ataques dos EUA e de Israel.

Israel e Estados Unidos acusam o Irã de desenvolver armas nucleares, enriquecendo urânio a níveis acima do necessário para usos civis. O Irã nega as acusações.

O suposto programa nuclear do Irã está no centro do conflito. Quando realizaram ataques no final de fevereiro ao Irã, EUA e Israel defendiam o desmantelamento integral das instalações nucleares do país.
“A gente vê uma inversão [do entusiasmo da sessão anterior]. Os Estados Unidos justificaram sua agressão militar ao Irã por conta da preocupação com o desenvolvimento de um programa nuclear no país, e isso então está diminuindo as expectativas dos investidores quanto à possibilidade de uma solução diplomática ser alcançada”, diz Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

Na véspera, o entusiasmo foi maior após sinais de avanços. Na noite de terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a parlamentares que a guerra entre EUA e Irã “terminará muito rapidamente”. No mesmo dia, o vice-presidente do país, J.D. Vance, afirmou que muito progresso foi feito nas conversas.

Além disso, notícias do Irã sinalizaram normalização do fluxo do estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã disse, na quarta, que 26 navios, incluindo petroleiros, navios porta-contêineres e outras embarcações comerciais, transitaram pelo estreito nas últimas 24 horas.

Com a interrupção do estreito, a guerra pressiona as cotações do petróleo e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária no mundo.
Nesta quinta-feira, os preços de petróleo voltam a subir mais de 4%. O barril Brent, referência mundial, era negociado a US$ 109,27 por volta das 10h30 (horário de Brasília), ápice do dia, com valorização de 4,05%.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também avançava, em alta de 4,07%, a US$ 102,30.

Tanto no Brasil quanto no exterior, o conflito tem aparecido nas projeções de juros. Conforme persiste e eleva as cotações da commodity, a guerra tem reforçado as apostas de juros restritivos por mais tempo.

O Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% em abril pela terceira reunião consecutiva. No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) reduziu a Selic para 14,5% ao ano, mas evitou sinalizar cortes futuros.

Segundo o Boletim Focus desta semana, a Selic deve encerrar 2026 em 13,25% ao ano -antes da guerra, a expectativa era de 12% e, há um mês, de 13%.

A ferramenta FedWatch, do CME Group, projeta a manutenção da taxa de juros dos EUA no intervalo entre 3,5% e 3,75% em todas as reuniões até outubro. Em dezembro, a maioria das estimativas estima um aumento para 3,75% a 4%.

O cenário beneficia ativos de renda fixa, como títulos públicos, em detrimento de investimentos de maior risco, como ações. Na ótica de investidores estrangeiros, o cenário de maior volatilidade também penaliza moedas de mercados emergentes (caso do real).

Internamente, investidores seguem atentos aos desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.

Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, com um aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro. A Folha de S.Paulo e o próprio Flávio confirmaram as mensagens -o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.

Flávio revelou ter visitado Vorcaro depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. Em entrevista, o senador afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final” no envolvimento entre os dois.

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos -onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.

Na quarta-feira, a crise levou a pré-campanha do senador a trocar o marqueteiro Marcello Lopes, amigo do pré-candidato e ex-policial. Como apurado pela Folha de S.Paulo, Marcello teve relação com o ex-banqueiro: ele constava em documento como um dos estrategistas de um plano de ataque nas redes sociais ao Banco Central.

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