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Economia

Dólar recua e Bolsa sobe com reunião de Lula com economistas e decisão do Copom no radar

Os ativos domésticos também repercutem a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, na véspera (4)

Redação Jornal de Brasília

05/11/2026 12h36

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar recua nesta quinta-feira (5), com investidores corrigindo parte das perdas recentes em meio à expectativa de um encontro entre Lula (PT) e economistas para discutir medidas de controle da trajetória da dívida pública brasileira.

Os ativos domésticos também repercutem a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, na véspera (4).

Por volta das 11h25, a moeda americana recuava 0,12%, a R$ 5,441. Os juros futuros, que refletem as expectativas para a trajetória da Selic, oscilavam após avançarem durante a manhã. As taxas dos contratos de DI com vencimento em janeiro de 2031 e 2035 rondavam a estabilidade, a 15,04% e 15,12%, respectivamente.

Com o alívio nos juros de longo prazo, a Bolsa avançava 0,71%, aos 168.763 pontos.
Segundo noticiou a Folha de S.Paulo, o presidente Lula vai iniciar nesta quinta-feira (5) uma série de conversas com economistas e empresários de diferentes vertentes para discutir os rumos da política fiscal do governo, segundo apurou o jornal.

O primeiro encontro será com nomes mais próximos do presidente. Lula espera receber o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o presidente do BNDES, Aloísio Mercadante, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Nas próximas semanas, Lula também vai ouvir outros economistas, tanto ortodoxos quanto heterodoxos, sobre o cenário econômico. “É mais um esforço da gente dividir o cenário, os diagnósticos, e eu vou levar certamente as propostas, as ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas”, afirmou o ministro a jornalistas nesta quinta.

No começo da semana, a possibilidade de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, ser apresentada ao presidente preocupou analistas. O Executivo negou que houvesse uma reunião prevista entre Lula e o economista.

Lara Resende defende há anos que o problema fiscal do Brasil está nos juros, e não nos gastos primários do governo, que excluem o pagamento de juros da dívida. Segundo ele, a Selic elevada faz os encargos da dívida crescerem em ritmo superior à capacidade de geração de riqueza do país, o que explicaria a trajetória do endividamento público.

A proposta envolveria a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por definir metas conjuntas para um horizonte de quatro a cinco anos. O Banco Central se comprometeria a manter a Selic entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do PIB, estimado em cerca de 5,5%. Como etapa inicial, a taxa seria reduzida gradualmente ao longo de 12 meses, até 7,5%, com uma margem de segurança de dois pontos percentuais em relação ao PIB potencial.

Para Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, o mercado ganha fôlego nesta quinta com a decisão do Copom e a reunião entre a equipe econômica e economistas. “O Comitê passou uma mensagem de cautela, lida como sinal de independência diante das pressões políticas por juros menores e de uma condução técnica […] Em busca de caminhos para cumprir as promessas de campanha, Lula reuniu ministros e conselheiros econômicos, o que também foi lido como sinal de atenção às contas públicas.

Esse gesto acalmou os mercados por ora”.

Investidores também repercutem a decisão do Copom na véspera (4), quando o colegiado manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu o ciclo de cortes. Foi a primeira reunião após a reeleição de Lula.

Ao justificar a pausa, o comitê citou o aumento das incertezas em relação às próprias projeções, a elevação das expectativas de inflação e a desaceleração mais acentuada da atividade econômica. A decisão foi unânime e veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas. Às vésperas da reunião, 24 analistas consultados pela Bloomberg projetavam a manutenção dos juros, enquanto cinco esperavam um novo corte de 0,25 ponto percentual.

O Copom também retirou do comunicado a referência ao ciclo de flexibilização dos juros, sinalizando maior disposição para manter a Selic inalterada por algum tempo. Não indicou, porém, por quanto tempo pretende manter a taxa nesse nível nem deu pistas sobre uma eventual retomada dos cortes ou uma alta dos juros.

A decisão acontece em um momento de maior cautela no mercado financeiro após a vitória de Lula (PT) para um quarto mandato. Na última semana, a Bolsa recuou 18%, na maior desvalorização desde 2020, enquanto o dólar subiu 9,18%, a maior alta em 18 anos. Os juros futuros acumularam alta superior a 2%.

A reação reflete o receio de que o governo não adote medidas suficientes para equilibrar as contas públicas. A perspectiva de continuidade de uma política fiscal expansionista eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores, pressiona os juros de longo prazo e pode encarecer o crédito para empresas e consumidores.

A alta do dólar também pressiona os custos de produção de empresas que dependem de insumos importados e os preços de commodities, inclusive agrícolas, o que pode dificultar a convergência da inflação à meta.

Segundo o Boletim Focus, economistas elevaram a projeção para o IPCA neste ano de 5,19% para 5,22%.

As estimativas também subiram para 4,76% em 2027 e 4% em 2028. Em outubro, o índice acumulava alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta do Banco Central, de 4,5%. O centro da meta é de 3%.

As projeções para a Selic também avançaram. A estimativa para o fim deste ano passou de 13,25% para 13,5%. Para 2027, subiu de 11,75% para 12,5%; para 2028, de 10% para 11%; e, para 2029, de 10% para 10,25%.

“A desancoragem das expectativas de inflação puxa essas expectativas para cima. Inclusive, no horizonte relevante de atuação, que é o segundo trimestre de 2028. Isso significa que, para convergir para 3%, o Banco Central precisa se mostrar contracionista. Consequentemente, tem menos motivos para continuar cortando os juros se, no horizonte relevante de atuação, temos observado uma elevação das expectativas”, diz Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research.

Para Leonel Oliveira Mattos, o cenário é de complexidade. “O Copom não mencionou que o descolamento das expectativas de inflação ganhou força principalmente após a reeleição de Lula. Ainda assim, o Comitê procura preservar sua credibilidade e sinalizar ao mercado financeiro e aos investidores que adotará uma postura mais conservadora sempre que houver uma deterioração significativa das expectativas inflacionárias”.

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