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Economia

Dólar recua e Bolsa avança com juros dos EUA no radar

Moeda recua acompanhando o cenário externo após dados de inflação nos Estados Unidos, enquanto leilões cambiais do BC e taxa de desemprego no Brasil influenciam o mercado

Redação Jornal de Brasília

26/06/2026 13h15

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar está em queda nesta sexta-feira (26), seguindo a tendência internacional, à medida que investidores moderam apostas de aumento de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) até o fim do ano.

Dados de desemprego no Brasil e leilões simultâneos no mercado de câmbio, realizados pelo BC (Banco Central), também embalam a sessão.

Às 12h12, a moeda norte-americana caía 0,24%, cotada a R$ 5,167. Já a Bolsa avançava 0,65%, a 173.108 pontos.

Com o arrefecimento das tensões no Oriente Médio e a gradual normalização do tráfego pelo Estreito de Hormuz, investidores voltam a colocar a política monetária dos Estados Unidos em foco.

Dados de inflação da véspera ajudaram a recalibrar parte das apostas de aumento de juros por parte do Fed. O PCE, índice favorito do banco central americano para balizar as decisões sobre os Fed Funds, avançou 4,1% nos 12 meses até maio, no maior aumento desde abril de 2023.

O resultado veio em linha com as expectativas. Na base mensal, o índice teve alta de 0,4%, mesma taxa de abril.

A guerra liderada pelos EUA contra o Irã elevou os preços do petróleo, levando a um aumento nos custos da gasolina. Embora os preços do petróleo e da gasolina tenham recuado nas últimas semanas em meio ao cessar-fogo, economistas projetam que a inflação permanecerá elevada por algum tempo.

“O relatório do PCE de maio é um lembrete de que a batalha contra a inflação ainda não acabou, mas também não é um sinal claro de que as pressões subjacentes sobre os preços estejam voltando a subir”, afirma Martin Beck, economista-chefe da Public Policy Holding Company, acrescentando que o núcleo do PCE não acelerou em relação ao mês anterior.

Com os preços dos combustíveis, que impulsionaram grande parte do salto da inflação geral em maio, agora em forte queda, “o Fed pode continuar paciente em vez de entrar em pânico”.

A leitura recalibrou as apostas sobre os juros do Fed. Após a reunião da semana passada, na qual o comitê optou por manter os Fed Funds na taxa de 3,5% e 3,75% ao ano, a comunicação lida como “hawkish” (agressiva no combate à inflação) fez com que investidores precificassem apertos nos juros até o fim do ano.

Quase metade dos diretores votantes do Fed também admitiram vislumbrar novas altas até dezembro.
Com o PCE relativamente ameno, 70% dos operadores agora apostam na manutenção da taxa de juros na reunião de julho, e 80% veem chance de aperto em setembro.

Juros mais altos nos EUA são uma má notícia para investimentos em todo o mundo. Quanto maior a taxa, pior para ativos emergentes, já que a renda fixa norte-americana é considerada um investimento praticamente livre de risco e, com os Fed Funds em alta, exibe retorno atrativo.

Com a aposta de que os juros demorarão um pouco mais para subir, o dólar se enfraquece globalmente. O índice DXY, que compara a moeda a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,15%, a 101,31 pontos.
O câmbio no Brasil também está sendo embalado pelo “casadão”, isto é, a realização de dois leilões simultâneos por parte do BC.

A autoridade monetária vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20 mil contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso -neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

Esses dois leilões simultâneos, como de costume, não alteraram de forma substancial a trajetória do dólar, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.

Dados de desemprego no Brasil também afetam as negociações. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a taxa no país atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas. No mesmo período de 2025, a taxa estava em 6,2%.

“O mercado ainda digere as comunicações recentes do BC e a volta da aposta em corte da Selic em agosto, depois de o comunicado, a ata e declaraçãoes de Gabriel Galípolo [presidente do BC] terem reordenado as expectativas nesse sentido”, afirma Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.

Na véspera, Galípolo reconheceu que o Copom (Comitê de Política Monetária) pode ter errado ao tentar “explicar demais” a decisão da semana passada, que gerou ruídos no mercado. Ainda assim, disse ele, “você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer”.

O corte de 0,25 ponto percentual na Selic, agora em 14,25% ao ano, já era esperado, mas investidores se surpreenderam com a linguagem do BC, vista como leniente com a inflação acima da meta.

Galípolo reforçou que a instituição não está dando sinalizações sobre o futuro dos juros e salientou que não há nenhum tipo de mudança na política monetária. “Estamos recolhendo dados nos próximos 40 dias para que o Copom possa tomar a decisão à luz dos novos fatos”, afirmou.


Daqui para frente, afirma Eduardo Amorim, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, o desafio do Copom está em alinhar discurso e ação, evitando que a comunicação seja interpretada como tolerância maior com a inflação.

“Se Galípolo conseguir reforçar uma postura técnica, cautelosa e comprometida com a convergência da inflação à meta, parte dos prêmios de risco pode continuar sendo devolvida. Por outro lado, qualquer percepção de flexibilização excessiva pode reacender a pressão sobre juros.”

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