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Economia

Dólar oscila e Bolsa recua após EUA ameaçarem sanções contra Irã

Moeda americana cai 0,11%, a R$ 5,147, enquanto Ibovespa recua 0,05%; investidores aguardam detalhes das medidas anunciadas pelo governo Trump

Redação Jornal de Brasília

25/08/2026 13h03

Foto: Reprodução

FOLHAPRESS

O dólar está em leve queda nesta terça-feira (25), com investidores avaliando as promessas de sanções econômicas dos Estados Unidos ao Irã e a países que mantiverem relações comerciais com a República Islâmica.

Adotando termos vagos, o governo Donald Trump chamou a operação de “Dia D Econômico”, sem adotar medidas imediatas de retaliação ao país persa.

Às 13h, a moeda norte-americana perdia 0,11%, a R$ 5,145, sem tendência clara no Brasil e no exterior. O índice do dólar, que o compara a uma cesta de seis divisas fortes, tinha variação negativa de 0,06%, a 98,93.

Já a Bolsa tinha alta de 0,8%, a 173.358 pontos, com o noticiário ainda embalado pelo pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, em queda de mais de 9%.

A operação de Washington contra Teerã, segundo o governo Trump, deverá ampliar as sanções contra setores essenciais à economia do país persa, como ativos digitais, tecnologia, aviação e transporte marítimo.

“Ninguém deu mais chances à República Islâmica do Irã de chegar a um acordo do que eu. Tragicamente para eles, eles não aproveitaram. Por isso, estou anunciando a operação econômica mais esmagadora jamais empreendida contra qualquer país”, escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social.

“Será guerra econômica e isolamento em um nível sem precedentes”, prosseguiu o republicano. “A Marinha deles já era, a Força Aérea foi destruída, suas fábricas militares são escombros, a moeda deles não vale nada, e o país está por um fio.”

Não há indicativos de que a economia iraniana esteja próxima de um colapso completo ou de uma crise muito maior do que a que já havia antes da guerra, causada por anos de pesadas sanções dos EUA e da Europa.

“Também declaro hoje que qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam salvação econômica ao Irã sofrerá imensas consequências econômicas”, ameaçou Trump.

Não está claro se ele se refere a aliados mais próximos do Irã, como a Rússia e a China, ou a parceiros comerciais da República Islâmica em geral, grupo que inclui o Brasil —que exporta, principalmente, milho e soja ao país persa— e também aliados dos EUA, como Turquia, Índia e Paquistão.

O anúncio do “Dia D Econômico” foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que também não especificou as medidas nem os prazos para elas. Ele não forneceu detalhes sobre quais países ou empresas podem ser atingidos.

“O Tesouro mapeou todo o nó, todo o facilitador e toda a rede que o Irã tem usado para contrabandear petróleo e evadir sanções”, afirmou Bessent. “Ninguém deveria testar nossa determinação.”

Ainda assim, o dólar tinha sinais mistos ante as divisas de países emergentes e se mantinha próximo da estabilidade ante as demais moedas fortes.

“No mercado de câmbio, o ambiente é de relativa calmaria, com o dólar oscilando e sem uma tendência direcional clara. Essa estabilidade reflete um compasso de espera por parte dos investidores globais, que aguardam a efetividade das novas sanções econômicas prometidas pelos Estados Unidos contra o Irã”, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações na Nomad.

O mercado ainda aguarda o PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal), indicador de inflação preferido do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) para definir a taxa de juros. A ser divulgado na quarta-feira, o índice poderá trazer maior clareza sobre as pressões dos preços na economia, depois que um dado de inflação ao consumidor em linha com as expectativas neste mês moderou as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Fed em setembro.

Participantes do mercado estão precificando um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros americanos até o final do ano, de acordo com dados da LSEG.

No Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de agosto também será divulgado na quarta e será importante para sinalizar os próximos passos da trajetória da Selic (taxa básica de juros).
Já no noticiário corporativo, a queda de mais de 2% das ações da Petrobras, em pregão de recuo dos preços do petróleo no mercado internacional, limita maiores ganhos do Ibovespa. O petróleo Brent registra queda de mais de 3,5%, cotado a US$ 87,40 o barril.

Destaque ainda para a Braskem, cujo pedido de recuperação extrajudicial da véspera levou a empresa a recuar mais de 6% no pregão. O processo é para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, o equivalente a aproximadamente R$ 56,2 bilhões.

Na ponta positiva, o setor bancário tinha forte alta, liderado pelo BTG (3,3%). Bradesco e Itaú marcavam valorização de 1,7% e 1,2%, respectivamente, e Banco do Brasil saltava 2%. Santander descolava da tendência, em queda de 0,3%.

Vale também avançava mais de 1,5%, em linha com o movimento do setor minerador no exterior, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. O presidente-executivo da mineradora, Gustavo Pimenta, afirmou nesta terça-feira que a Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C, na região de Carajás, no Pará.

Já os juros futuros operam em baixas leves, acompanhando o viés negativo dos rendimentos dos treasuries, títulos ligados ao Tesouro dos Estados Unidos, no exterior.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,84%, ante o ajuste de 13,883% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,48%, ante 14,506%.

Os rendimentos dos treasuries de dois anos —que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo— tinha queda de 0,02 ponto percentual, a 4,219%, enquanto o treasury de dez anos —referência global para decisões de investimento caía 0,04 ponto, a 4,668%.

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