FOLHAPRESS
O dólar oscila nesta segunda-feira (24), com investidores atentos à guerra no Oriente Médio e a possíveis sanções dos EUA contra o Irã. Cenário eleitoral e medidas do Tesouro norte-americano também permanecem no radar.
Por volta das 14h35, a moeda americana avançava 0,12%, em linha com o exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, subia 0,24%.
No mesmo horário, a Bolsa também subia 0,62%, a 172.094 pontos.
Nesta segunda, o pregão aguarda o anúncio de medidas do governo Trump contra o Irã. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prometeu revelar medidas severas contra Teerã em coletiva de imprensa marcada para às 14h.
“Ao amanhecer, começa um Dia D econômico a maior ofensiva financeira já mobilizada contra um adversário”, escreveu Bessent em artigo de opinião publicado no Financial Times no domingo (23).
O Irã rejeitou a ameaça dos EUA, prometeu interromper todas as exportações de petróleo do Golfo “se a guerra econômica continuar” e disse que sua resposta a quaisquer novas ameaças dos Estados Unidos seria “devastadora”.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, também disse que o plano tem como objetivo “distrair da própria crise dos Estados Unidos”.
Enquanto isso, o estreito de Hormuz permanece fechado, comTeerã exigindo que os Estados Unidos cumpram condições de um acordo provisório firmado em junho. Entre as exigências estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados e a interrupção de ameaças e operações militares americanas.
Apesar das tensões, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, recua 2,50% durante o pregão. “Os preços internacionais caem nesta manhã, com os investidores globais aguardando os detalhes e o real impacto do plano americano antes de tomarem novas posições”, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Para Nossig, o recuo nas cotações da commodity acaba retirando parte do suporte de grandes exportadoras, como a Petrobras, costumam oferecer ao nosso índice principal, “incentivando uma postura mais defensiva no mercado local”.
Investidores também monitoram o noticiário político após divulgação de pesquisa Datafolha na última sexta-feira.
No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial, Lula (PT) marca 39% e Flávio Bolsonaro (PL), 33% no primeiro turno. Numa segunda rodada, o petista lidera por 47% a 43%.
A distância entre os principais rivais na disputa caiu quatro pontos percentuais em cenário de primeiro turno de junho para cá.
“Lula tem vantagem nominal, mas dentro da margem de erro. Isso mostra uma disputa mais acirrada, o que aumenta a imprevisibilidade sobre quais serão as políticas econômicas do Brasil para os próximos quatro anos e pode trazer mais volatilidade para os ativos nacionais”, diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
O pregão também continua atento à operação anunciada pelo Tesouro dos EUA na última semana. A instituição revelou que vai aumentar o volume de recompra de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões.
A recompra aumenta a demanda pelos títulos e ajuda a reduzir os rendimentos dos Treasuries. Com juros menores nos títulos americanos, considerados uma referência para os mercados globais, investimentos em países emergentes se tornam mais atrativos.
Segundo os agentes, a recompra funciona como um alívio tático de curto prazo, ao aumentar a liquidez no mercado de Treasuries, mas não é suficiente para mudar estruturalmente a trajetória dos juros longos, que devem continuar subindo.
“O problema é que elas não atuam sobre as causas que estavam levando os rendimentos dos títulos do Tesouro a subir, em particular a perspectiva de déficits crescentes da economia americana. Isso mostra que o governo americano não pretende fazer uma consolidação fiscal nem readequar o equilíbrio das contas públicas”, afirma Leonel.
A alta dos juros longos reflete preocupações dos investidores com a trajetória fiscal americana. A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história.
Durante a semana, investidores continuarão atentos a importantes eventos econômicos. O principal deles é o simpósio de Jackson Hole, onde o mercado acompanhará as sinalizações do Fed (Federal Reserve, banco central americano) sobre os próximos passos da política monetária.
No Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de agosto será divulgado na quarta-feira (26) e será importante para confirmar as expectativas de um novo corte da Selic (taxa básica de juros) em setembro.
Na quinta-feira (27), a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) trará a taxa de desemprego. Na sexta-feira (28), será divulgado o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Nos Estados Unidos, o PIB (Produto Interno Bruto) e o deflator do PCE (Índice de Preços de Gastos de Consumo Pessoal), indicador de inflação preferido do Fed, serão divulgados na quarta-feira.
Dólar oscila com guerra no Oriente Médio no radar; Bolsa sobe
Mercado também acompanha cenário eleitoral brasileiro, recompra de títulos pelo Tesouro americano e decisões do Federal Reserve ao longo da semana
Foto: Eva HAMBACH / AFP