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Economia

Dólar opera em leve alta e Bolsa oscila após divulgação de inflação dos EUA

Às 12h57, a moeda norte-americana operava em estabilidade, cotada a R$ 5,163. No mesmo horário, a Bolsa registrava leve queda de 0,13%, aos 167.640 pontos

Redação Jornal de Brasília

12/08/2026 12h51

Foto: AFP

Foto: AFP

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS

O dólar oscila nesta quarta-feira (12), após ter subido 1,02%, a R$ 5,164, na véspera, maior valor desde 3 de julho. Os investidores repercutem, nesta quarta, os dados de inflação dos Estados Unidos, que vieram em linha com as expectativas, e seguem acompanhando a temporada de balanços.

Às 12h57, a moeda norte-americana operava em estabilidade, cotada a R$ 5,163. No mesmo horário, a Bolsa registrava leve queda de 0,13%, aos 167.640 pontos.

No último pregão, a Bolsa também teve forte reação ao mercado e recuou 2,50%, aos 167.874 pontos. Foi o menor nível desde 20 de janeiro de 2026, quando o índice terminou o pregão aos 166.276 pontos.

Os preços ao consumidor nos EUA registraram ligeiro aumento em julho. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,1% no mês passado, após cair 0,4% em junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Bureau of Labor Statistics, do Departamento do Trabalho dos EUA. Nos 12 meses até julho, o índice avançou 3,4%, após alta de 3,5% em junho.

O CPI é acompanhado pelo mercado e ajuda a sinalizar os próximos passos do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano).

Para Vinicius Flores, economista e sócio da Stratton Capital, os dados refletem a normalização da inflação americana após um mês de junho marcado pela queda nos preços de energia. Segundo Flores, os dados de aluguéis contribuíram para aproximadamente dois terços do aumento da inflação em julho.

O especialista afirma ainda que os dados apontam melhora no núcleo do CPI, que, apesar de continuar acima da meta de 2% do Federal Reserve, recuou de 2,6% para 2,5%.

“Com os dados extremamente em linha com as expectativas do mercado, acredito que o próximo número de inflação que será divulgado antes da decisão do Fed em setembro carregará mais peso para a decisão do comitê.” Segundo o especialista, com os dados atuais, a expectativa para a próxima decisão do Fed não deve mudar, com a probabilidade mais alta sendo a de manutenção das taxas de juros.

Segundo o FedWatch, do CME Group, o cenário provável para a próxima decisão do Fed é a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Segundo analistas consultados, havia 63,9% de chance de manutenção, contra 36,1% de possibilidade de aumento para o intervalo entre 3,75% e 4%.

O impacto imediato após a divulgação dos dados foi de queda nos rendimentos dos Treasuries e no dólar, medido pelo índice DXY. Por volta das 13h, o índice se recuperava, com alta de 0,04%. Os rendimentos dos Treasuries caíam 0,43%.

No mesmo horário, as bolsas americanas operavam em alta. O Dow Jones avançava 0,05%, o S&P 500 tinha alta de 0,17% e a Nasdaq subia 0,40%.

No cenário doméstico, os investidores acompanham os dados sobre o setor de serviços do Brasil. O volume de serviços ficou estável em relação a maio e teve alta de 2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

André Valério, economista sênior do Inter, diz que o resultado de junho foi marcado pela disseminação de taxas negativas, com quatro das cinco atividades pesquisadas apresentando contração no mês.

“Destacamos os recuos em serviços profissionais e nos serviços prestados às famílias, que recuaram 1,4% e 1,2%, respectivamente, indicando que tanto componentes da oferta quanto da demanda por serviços tiveram desempenho fraco em junho”, afirma.

A única atividade que expandiu em junho e impediu uma contração geral do setor foi a de informação e comunicação, que avançou 1,8%, reflexo da alta de 2,2% nos serviços de TI.

Além disso, o mercado também deve acompanhar os impactos dos balanços do Banco do Brasil —que deve ter destaque nos dados sobre a inadimplência do agronegócio—, da Suzano e da Hapvida, previstos para essa quarta.

No último pregão, a Bolsa teve forte queda após os investidores repercutirem a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central), e os dados de inflação de julho.

A ata reforçou a avaliação de que a inflação continua pressionada e os juros precisam permanecer ao nível elevado para desacelerar a economia.

Com isso, a Bolsa atingiu o menor nível em sete meses e recuou pelo sexto pregão seguido. Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, vê o comitê preocupado com as expectativas de inflação de longo prazo. “Os cortes, precificados em algumas casas, deixam de ser certos quando recebemos uma ata com um tom mais duro. E juros altos por mais tempo acabam sendo um veneno para a Bolsa.”

Os estrangeiros já retiraram R$ 5,5 bilhões da Bolsa brasileira em agosto, segundo dados da B3 atualizados até sexta-feira (7). No ano, o saldo é positivo em R$ 35,5 bilhões, influenciado pelo primeiro trimestre.

Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, diz que o resultado da Bolsa também sofreu com o impacto do risco eleitoral. O JPMorgan destacou a percepção de risco Brasil, diante da possível estagnação dos cortes de juros após setembro e dos efeitos das eleições de outubro deste ano, e reduziu a recomendação de compra das ações brasileiras.

Nesta quarta-feira, as curvas de juros operam em queda nos pontos mais curtos e entre estabilidade e alta nos vencimentos mais longos. Às 13h02, o DI para janeiro de 2028 recuava para 13,905%, queda de 0,009 ponto percentual. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 caía para 14,530%, recuo de 0,004 ponto percentual.

Economistas consultados pelo Boletim Focus projetam a taxa de juros terminando 2026 a 13,75%, estimando assim um novo corte de 0,25 ponto percentual. As previsões para os próximos três anos são de 12% (2027), 10,5% (2028) e 10% (2029).

No exterior, persistirem as incertezas em torno da guerra no Oriente Médio. Nesta terça, a violência voltou a escalar. Os Estados Unidos dispararam dois mísseis contra um navio que furou seu bloqueio ao Irã, e rebeldes pró-Teerã do Iêmen mataram quatro marinheiros em uma embarcação no mar Vermelho.

Os incidentes ocorreram em meio ao impasse diplomático vivido na região entre o governo de Donald Trump, que voltou a fazer ameaças aos iranianos, e a teocracia, em torno de um acordo para pôr fim à guerra iniciada por EUA e Israel no fim de fevereiro.

Às 13h04, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 88,90, com queda de 0,01%.

Marcelo Boragini diz que esse cenário incerto mantém o prêmio geopolítico no petróleo e aumenta o risco de novos efeitos sobre a inflação global.

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