O dólar comercial fechou em alta nesta quinta-feira (5), cotado a R$ 5,4885 no mercado à vista. A valorização de 0,68% veio no dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
A moeda norte-americana chegou a abrir em queda, influenciada pela manutenção da taxa básica de juros brasileira em um patamar elevado. No entanto, o movimento se inverteu ao longo do dia com o aumento da aversão global ao risco, que pressionou os mercados internacionais. O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, fechou em queda de 0,50%, aos 166.729 pontos.
De um lado, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos permanece alto, o que poderia sustentar o real. “Ainda assim, o dólar seguirá mais sensível às sinalizações fiscais do novo governo do que à política monetária”, afirmou o analista Vitor Kayo, da Nomad. Nesta quinta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com ministros e economistas, mas não anunciou medidas; um pacote fiscal é esperado para domingo (8).
De outro, o nervosismo em Wall Street contribuiu para a reversão. Temores em relação à regulação de empresas de inteligência artificial após as eleições de meio de mandato nos EUA trouxe forte queda aos índices americanos, com o Nasdaq chegando a recuar mais de 5%. “Isso indica que os investidores estrangeiros estão bem mais avessos ao risco”, disse Lucas Xavier, da AW Capital, citando um fluxo negativo de R$ 12 bilhões em oito pregões na bolsa brasileira.
A decisão do Copom, tomada na quarta-feira (4), foi unânime e interrompeu um ciclo de cinco cortes consecutivos. O comitê citou o aumento das expectativas de inflação e a desaceleração mais acentuada da atividade econômica como fatores para uma condução “serena” e “cautelosa” da política monetária.
O cenário externo também foi considerado mais adverso, com o prolongamento de conflitos no Oriente Médio e a política monetária restritiva em economias avançadas. Para o Banco Central, esses elementos exigem cautela dos países emergentes diante da volatilidade nos preços.
Agora o mercado se volta para o relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, que será divulgado nesta sexta-feira (6). O dado norte-americano é visto como um potencial fator para alterar as expectativas sobre juros e inflação no exterior.