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Economia

Dólar e Bolsa rondam estabilidade com alívio externo e empate eleitoral no radar

Por volta das 14h, a moeda americana recuava 0,09%, a R$ 5,083, após ir a R$ 5,067 na mínima (queda de 0,40%)

Redação Jornal de Brasília

16/10/2026 14h46

Foto: Banco de Imagens

FOLHAPRESS

O dólar oscila nesta sexta-feira (16), acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior, enquanto investidores repercutem pesquisas eleitorais que mostram Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em empate técnico no segundo turno.

Por volta das 14h, a moeda americana recuava 0,09%, a R$ 5,083, após ir a R$ 5,067 na mínima (queda de 0,40%). No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,12%.

No mesmo horário, o Ibovespa avançava 0,02%, aos 204.369 pontos, impulsionado pelas ações da Petrobras. Os movimentos do dólar e da Bolsa revertem, respectivamente, a alta e a queda registradas na véspera.

Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, os dois últimos pregões têm sido marcados pelo enfraquecimento do dólar no exterior e pela diversificação dos investimentos em outras moedas. “O real está se beneficiando desse enfraquecimento global do dólar, que é fruto da rotação de investimentos para fora dos Estados Unidos”.

Segundo ele, a saída de recursos de empresas ligadas à inteligência artificial reflete dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos no setor. Na quinta-feira (15), os preços de títulos emitidos para financiar data centers atingiram os menores níveis em semanas.

A cautela também está relacionada à decisão da OpenAI de adiar seu IPO (oferta pública inicial de ações) para o próximo ano e à desaceleração do crescimento trimestral das vendas da Anthropic.

As empresas de neocloud, que fornecem infraestrutura de computação em nuvem para aplicações de IA, foram atingidas com ainda mais força. Os títulos emitidos pela CoreWeave caíram para menos de US$ 0,80 por dólar na quinta-feira, elevando os rendimentos para perto de 15%. As ações da empresa acumulam queda de 17% na semana.

A Nvidia, que investiu dezenas de bilhões de dólares em empresas de neocloud e startups de IA, perdeu cerca de US$ 270 bilhões em valor de mercado.

No cenário doméstico, a disputa eleitoral se mantém no radar. Na noite de quinta-feira, o Datafolha mostrou que Flávio Bolsonaro tem 51% dos votos válidos, ante 49% de Lula (PT), em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa.

Há uma semana, a diferença era de quatro pontos percentuais, com o senador registrando 52% e o presidente, 48%. Faltam nove dias para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Nos votos totais, Flávio tem 47%, ante 45% de Lula. Na pesquisa anterior, o candidato do PL tinha 49%, enquanto o petista mantinha os mesmos 45%.

Ao Datafolha, se somou a divulgação da pesquisa PoderData que mostrou os candidatos numericamente empatados no segundo turno das eleições, com 50% dos votos válidos para cada um.

O acirramento da disputa influencia o comportamento dos ativos domésticos. A candidatura de Flávio é associada à expectativa de um ajuste fiscal mais rigoroso, um dos fatores por trás da valorização recente da Bolsa e do real.

A perspectiva de maior controle da dívida pública reduz o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, aliviando a curva de juros futuros. Taxas mais baixas, por sua vez, tendem a diminuir o custo do crédito para as empresas e podem favorecer as perspectivas de lucro, beneficiando o mercado acionário.

No pregão seguinte à votação inicial, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte ao pleito.

A política econômica de Flávio, contudo, ainda gera dúvidas. Como mostrou a Folha, sua equipe estuda um ajuste inicial de cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), ou R$ 250 bilhões, com medidas como limitar os ganhos reais de benefícios previdenciários e do BPC e acabar com os pisos constitucionais de gastos com saúde e educação. Flávio nega que pretenda adotar essas medidas.

“As pesquisas de intenção de voto mais recentes mostram uma disputa acirrada, com Flávio numericamente à frente de Lula, mas por margens próximas”, diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX. Segundo ele, os investidores mantêm certa cautela pela imprevisibilidade do resultado.

Para Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, o mercado brasileiro permanece em um processo de reprecificação dos riscos político e fiscal. “Apesar da valorização expressiva acumulada em outubro, a continuidade desse movimento dependerá de maior clareza sobre a política econômica de 2027, especialmente em relação à trajetória da dívida pública”, afirma
No mercado doméstico, destaque também para a divulgação do IBC-Br de agosto, indicador do Banco Central (BC) considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto). O índice apontou crescimento de 0,30% em relação a julho.

O resultado, com ajuste sazonal, veio em linha com as expectativas dos economistas consultados pela Reuters. A alta ocorreu após a atividade recuar 0,4% em julho, segundo dado revisado pelo BC, que havia informado inicialmente uma queda de 0,2%.

“Em conjunto com os resultados recentes de indústria, comércio e serviços, os dados reforçam a percepção de que a economia perdeu tração de forma mais intensa no começo da segunda metade do ano”, afirma o economista Leonardo Costa, do ASA. Ele destaca ainda que, apesar do avanço mensal, o resultado acumulado no trimestre continua mais fraco.

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