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Economia

Dólar abre em queda após Banco Central cortar juros

Às 9h40, a moeda norte-americana caía 0,31%, a R$ 4,986

Redação Jornal de Brasília

30/04/2026 11h01

Foto: Reprodução

FOLHAPRESS

O dólar abriu em queda nesta quinta-feira (30) ante o real, com investidores avaliando a decisão de juros do Banco Central, que na véspera cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,5% ao ano.

Analistas também reagem a divulgação de indicadores nos EUA e Brasil durante o pregão. Os destaques são PIB dos Estados Unidos e taxa de desemprego do primeiro trimestre por aqui.

Às 9h40, a moeda norte-americana caía 0,31%, a R$ 4,986. O comportamento é similar ao exterior, onde o índice DXY —que mede o desempenho do dólar frente a outras seis divisas— recuava 0,52%.

Na quarta, o dólar avançou 0,39%, cotado a R$ 5,001, e a Bolsa tombou 2,05%, a 184.750 pontos, após a aversão ao risco tomar os mercados no final da tarde.

Na véspera, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve o ritmo gradual de redução de juros e repetiu o corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica (Selic), de 14,75% para 14,5% ao ano.

O colegiado do Banco Central optou por um ajuste conservador depois de ver as projeções para inflação mais distantes da meta de 3%. O resultado veio em linha com expectativa de analistas do mercado financeiro.

No comunicado, o comitê reforçou a necessidade de cautela e não sinalizou abertamente o rumo de seus próximos movimentos, evitando se comprometer antecipadamente com os ajustes futuros.

O Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% e 3,75%, como amplamente esperado, na última reunião de Jerome Powell como presidente do órgão. A decisão, porém, surpreendeu pelo raro placar de 8×4, que não ocorria desde outubro de 1992.

A dissidência de três dirigentes nesta reunião —Beth Hammack, Neel Kashkari e Logie Logan, presidentes do Fed de Cleveland, Minneapolis e Dallas, respectivamente— levantou uma bandeira amarela sobre os próximos passos do comitê.

Embora eles tenham votado a favor da manutenção, discordaram da inclusão de um “viés de afrouxamento” no comunicado, isto é, defenderam uma comunicação mais agressiva no combate à inflação (“hawkish”). Stephen Miran, diretor indicado por Donald Trump, não surpreendeu e voltou a votar a favor de um corte de 0,25 ponto percentual.

“Com as dissidências hawkish, está claro que teremos na próxima reunião uma discussão mais robusta sobre os próximos passos da política monetária”, diz Aroop Chatterjee, estrategista na Wells Fargo. “Isso dá coro à perspectiva de menos cortes esse ano, conforme os riscos inflacionários aumentaram.”

Com os preços do petróleo em alta vertiginosa desde o início da guerra no Irã, autoridades do Fed já expressaram preocupação com a possibilidade do choque se traduzir em uma inflação mais alta nos próximos meses. Isso levaria à manutenção dos juros por mais tempo —ou, no cenário mais extremo, à retomada do ciclo de aperto monetário.

A guerra foi citada pelo Fed no comunicado oficial. “Os acontecimentos no Oriente Médio contribuem para um alto nível de incerteza quanto às perspectivas econômicas. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato [máximo emprego e inflação de 2% no longo prazo].”

O petróleo voltou a tocar o patamar de US$ 119 o barril nesta sessão, em meio às negociações estagnadas entre EUA e Irã e o contínuo bloqueio do Estreito de Hormuz, via marítima responsável por um quinto do transporte global de petróleo. Antes da campanha de bombardeio israelense-americana contra o Irã, a cotação era de cerca de US$ 70.

O repasse já atinge o bolso de consumidores norte-americanos, que viram a gasolina subir para a média de US$ 4 o galão (R$ 20 por três litros). A expectativa é que os próximos dados de inflação, sobretudo o PCE (Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal, métrica favorita do Fed para avaliar a alta de preços), já tragam reflexos dessa disparada.

Por enquanto, os dados recentes continuam a mostrar que a economia dos Estados Unidos está sólida.

“Tanto o comunicado quanto a fala de Powell na entrevista coletiva após a reunião reforçaram que o Fed está em uma posição confortável para esperar novos dados antes de tomar uma nova decisão, e Powell disse que mudanças no guidance [orientação sobre passos futuros] gerariam ruídos que o comitê preferiu evitar”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

O mercado vê poucas chances do Fed reduzir a taxa de juros neste ano. E isso a despeito da provável pressão sobre o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, a partir de junho, caso seu nome seja aprovado entre os parlamentares dos EUA.

Ele foi escolhido por Donald Trump em meio à cruzada do presidente por juros mais baixos. Powell, nomeado por Trump no primeiro mandato, resistiu à pressão do republicano no último ano, mantendo as decisões de política monetária ancoradas nos dados econômicos.

Juros mais altos nos EUA costumam ser uma má notícia para os mercados globais. Como a economia norte-americana é a maior do mundo, a renda fixa de lá é lida como um investimento praticamente livre de risco, o que tira a atratividade de outros ativos mais arriscados.

“Isso tende a sustentar um dólar relativamente mais forte e aumenta a pressão sobre ativos de risco, principalmente empresas de tecnologia e companhias mais dependentes de financiamento para crescimento, fluxo de caixa e novos investimentos”, diz Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.

“Para o investidor, o impacto é uma leitura de maior seletividade. Juros norte-americanos elevados reduzem o apetite global por risco, pressionam bolsas, encarecem o custo de capital e tornam os títulos de renda fixa dos Estados Unidos mais competitivos frente a outros ativos.”

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