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Diretor do BC admite problemas nas trocas de informações previstas no open finance

No evento Open Banking 2022, Damaso ainda destacou que as APIs precisam estar “100% ajeitadas” para a informação fluir com qualidade.

Por FolhaPress 05/07/2022 2h15
Edifício-Sede do Banco Central em Brasília. Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Nathalia Garcia

O diretor de Regulação do Banco Central, Otavio Damaso, disse nesta terça-feira (5) que o open finance, projeto evolutivo do open banking, ainda não está funcionando “a pleno vapor” e que foram identificados alguns entraves na comunicação entre as instituições financeiras.

“Ele [open banking] está funcionando a pleno vapor? Ainda não. A gente ainda tem alguns desafios que estão passo a passo sendo endereçados, o principal ponto é a questão da consistência das informações que estão sendo trocadas entre as instituições”, afirmou.

“A gente ainda tem alguns problemas de inconsistências, que a área de supervisão está tratando caso a caso. Mas essas informações já estão circulando, e os bancos já estão usufruindo dessas informações para entender cada vez melhor o comportamento e as demandas do seu cliente”, acrescentou.

No evento Open Banking 2022, promovido pelo Ibrac (Instituto Brasileiro de Estudos de Concor­rência, Consumo e Comércio Internacional), Damaso ainda destacou que as APIs (interfaces de comunicação) precisam estar “100% ajeitadas” para a informação fluir com qualidade.

A comunicação é a base do open finance, que prevê a integração de serviços não bancários ao modelo, ampliando o compartilhamento de dados pessoais, bancários e financeiros entre instituições -mediante autorização prévia do cidadão- para variados setores, incluindo seguradoras, corretoras de investimentos, câmbio e previdência.

O diretor do BC reconheceu que o prazo estipulado para a implementação do sistema foi “apertado” e “audacioso”, dada a amplitude do projeto brasileiro, o que trouxe desafios adicionais para a autoridade monetária.

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“O escopo do open finance no caso brasileiro foi bem maior do que em outros países, e um prazo de implementação muito mais curto. O prazo talvez tenha sido muito apertado para o tamanho do projeto que a gente gostaria de implementar no Brasil, esse é um ponto que fica como lição nossa”, afirmou.

Segundo Damaso, o open finance conta hoje com 5 milhões de consentimentos ativos. Isso significa que 5 milhões de clientes já autorizaram que suas informações transitem entre instituições financeiras.

O modelo também soma 700 milhões de chamadas de API por mês e tem de 700 a 800 instituições participantes do ecossistema, sendo algumas de forma voluntária, além de cinco iniciadoras de pagamento autorizadas e em funcionamento.

Futuramente, a autoridade monetária planeja uma integração maior do sistema financeiro aberto com o Pix, com o registro de recebíveis e com a moeda digital, que ainda está em desenvolvimento. “Essa integração vai trazer mais eficiência para todos esses produtos”, disse.

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Para o diretor do BC, o open finance representa uma “revolução” no sistema financeiro, de forma que alguns efeitos positivos serão sentidos apenas “daqui cinco ou dez anos”.








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