Sarah Barros
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O preço da cesta básica em setembro aumentou 0,94% no Distrito Federal na comparação com agosto. É a menor elevação observada entre as 14 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), onde houve alta no preço médio dos 13 produtos que compõem a cesta. Em outras três capitais, houve queda. Porém, o encarecimento interrompe a redução no custo observada nos quatro meses anteriores.
Desde maio, o preço da cesta básica no DF vinha caindo, passando de R$ 237,76 em abril para R$ 233,25. Em agosto, o custo já era de R$ 213,98, mas cresceu para R$ 215,99 no mês passado. O preço representa 46,03% do valor líquido do salário- mínimo. Para uma família formada por dois adultos e duas crianças, o custo no mês chegou a R$ 647,97.
O levantamento aponta a carne como o item que mais contribuiu para a alta em setembro. O preço do produto aumentou 6,17% entre setembro e o mês anterior. O supervisor regional do Dieese, Clóvis Scherer, explica que a alta está relacionada ao inverno mais seco neste ano, o que afetou as pastagens, além das vendas ao exterior, que diminuem a oferta no mercado interno.
Essa variação na carne foi sentida pela funcionária pública Maria da Paz, 51 anos. Na sua avaliação, este foi o item que mais subiu, enquanto o preço do leite diminuiu, o que é confirmado pelos números do Dieese. Segundo a entidade, o leite teve variação negativa de 7,18%. A maior redução, porém, foi no preço da batata, de 20,92%. Para conseguir esticar o salário e comprar mais, Maria da Paz garante que o jeito é recorrer à pesquisa de preços. “Economizar vai muito de pesquisa. Como moro perto de vários supermercados, fico em torno deles.”
salário-mínimo
A doméstica Erlaine Moreira, 23 anos, também afirma que o preço dos alimentos tem pesado mais no bolso. “Para quem ganha apenas um salário-mínimo (R$ 510) pesa um pouco no orçamento.” Na hora das compras, o aumento no preço do feijão foi o que mais chamou sua atenção, embora o Dieese indique queda de 4,07% no preço.
O gerente de supermercado Alcino Peres garante que os preços não aumentaram muito. “Não considerei o aumento abusivo. Na entressafra, a tendência é mesmo de aumento. Ficou dentro do padrão”, analisou.
Embora tenha apresentado alta em relação a agosto, o preço da cesta básica brasiliense caiu ante o mesmo mês do ano passado. A variação ficou negativa em 1,03%. Os preços que, nos últimos 12 meses, apresentaram maiores altas foram o do açúcar, com aumento de 46,07% e o da carne, com alta de 14,49%. Em sentido contrário, o preço do tomate caiu 48,44%. O custo da batata baixou 30,46% e o da farinha, 14,35 %.
Com estes preços para a cesta básica, analistas do Dieese estimam que o salário-mínimo necessário para custear as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, deveria ser, em setembro, de R$ 2.047,58. O montante corresponde a 4,01 vezes o mínimo em vigor, de R$ 510.