A economia do Brasil se recuperou dos efeitos da crise financeira internacional do ano passado e conseguiu crescer 0,3% em 2009, apesar de algumas dificuldades iniciais, segundo a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Em seu balanço preliminar das economias da região, apresentado hoje em Santiago do Chile, a Cepal prevê que o Brasil alcançará no ano que vem o ritmo de crescimento prévio à crise e que seu Produto Interno Bruto (PIB) aumentará 5,5% e será o maior da região.
Após crescer 5,7% em 2007 e 5,1% em 2008, o Brasil conseguiu fechar 2009 com números positivas graças, em parte, às medidas do Banco Central para manter a liquidez interna, reduzir a taxa de juros e estimular os empréstimos dos bancos públicos.
As condições macroeconômicas e as perspectivas da economia brasileira se mantiveram atrativas, o que fomentou a entrada de capitais, segundo o documento.
Além disso, com o objetivo de recuperar o investimento, muito afetado pela crise, o Governo brasileiro aumentou as despesas de capital e o investimento em projetos de infraestrutura e energia e deu início a um amplo programa de incentivos e subsídios públicos à construção de casas.
“O conjunto das políticas implementadas permitiu a recuperação do nível de atividade econômica”, acrescentou a Cepal.
A inflação teve uma queda de 6,4% anualizada em outubro de 2008 para 4,2% em outubro de 2009, abaixo da meta.
O déficit fiscal brasileiro representou 1,26% do PIB, em comparação com a taxa de 2,6% do ano passado, devido a um maior saldo comercial e a um menor déficit na balança de rendas, afirmou a Cepal.
Em matéria de emprego, a comissão afirma que até setembro de 2009 o mercado de trabalho se recuperou gradualmente, com a criação líquida de 300 mil postos de trabalho desde setembro de 2008, o que situou a taxa de desemprego em 7,7%.
Entre janeiro e setembro deste ano, o valor exportado de bens caiu 25,9% em relação ao mesmo período de 2008, por causa da queda de 15,3% das exportações dos produtos básicos, enquanto as importações de bens caíram 31%.
Em novembro, a dívida externa do Brasil alcançou os US$ 276 bilhões, dos quais US$ 169 bilhões correspondem à dívida no médio prazo e US$ 32 bilhões a dívida no curto prazo.