JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
Em um cenário de maior cautela na concessão de crédito, o Bradesco segurou as despesas e conseguiu entregar um crescimento no lucro. Segundo o balanço financeiro do banco publicado nesta quinta-feira (22), o resultado líquido somou R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 0,8% na comparação trimestral e de 14,6% na anual.
O resultado veio em linha com a média de projeções de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 7,116 bilhões.
A carteira de crédito total do banco terminou setembro em R$ 1,15 trilhão, alta trimestral de 1% e anual de 11%. O maior crescimento foi em pessoas jurídicas, cujo estoque aumentou 14%.
O índice de inadimplência, considerando atrasos superiores a 90 dias, ficou em 4,6%, um aumento de 0,3 ponto percentual em três meses e 0,5 ponto percentual no ano.
A provisão para perdas esperadas somou R$ 10,6 bilhões no trimestre, salto de 24,3% em um ano e de 6,6% em três meses.
O ROAE (retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido médio anualizado), indicador de rentabilidade do banco, ficou em 16,1%, sem considerar o aumento de capital do banco.
O Bradesco aumentou sua capitalização em R$ 10 bilhões via emissão de novas ações em Bolsa, o que, segundo a instituição, possibilitará a sustentação de investimentos em tecnologia, eficiência comercial e expansão dos negócios. Ou seja, um caixa mais robusto daria fôlego para a instituição acelerar o processo de transformação sob a gestão de Marcelo Noronha.
O braço de seguros do Bradesco teve um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões, uma queda de 1,9% na comparação trimestral, mas alta de 14,1% na anual.
O Bradesco tenta recuperar a sua forma do pré-pandemia, quando o ROAE era superior a 20%, sob o comando de Marcelo Noronha desde novembro de 2023.
Além de mudanças estruturais internas, com troca de diretoria, a instituição está remodelando seus produtos, com maior foco em produtos mais rentáveis e menos arriscados, e redução da rede física.
RAIO-X | BRADESCO
Fundação: 1943, em Marília (SP) Lucro líquido no 3º trimestre de 2026: R$ 7,1 bilhões Agências bancárias: 1.741 Funcionários: 80 mil Clientes: 74 milhões Principais concorrentes: Banco do Brasil, Itaú, Santander e Nubank