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Bolsa tem sessão volátil à espera de decisão sobre juros nos EUA

Às 11h31, o Ibovespa, referência do mercado acionário do Brasil, subia 0,57%, a 108.553 pontos. O dólar recuava 0,23%, a R$ 5,4940

Por FolhaPress 25/01/2022 12h58
Reprodução

Clayton Castelani

A Bolsa de Valores brasileira abriu nesta terça-feira (25) pressionada pela aversão ao risco. Investidores se preparam para conhecer os próximos passos do ajuste monetário promovido pelos Estados Unidos para enfrentar a maior inflação no país em quatro décadas.

Às 11h31, o Ibovespa, referência do mercado acionário do Brasil, subia 0,57%, a 108.553 pontos. O dólar recuava 0,23%, a R$ 5,4940. Um cenário totalmente diferente do registrado na abertura do pregão, quando Bolsa caía e dólar avançava. A volatilidade deve marcar a sessão.

No mundo dos negócios, as atenções estão voltadas para a reunião dos membros do comitê de política monetária do Fed (Federal Reserve, o banco central americano). O encontro tem início nesta terça e o resultado do debate será comunicado na quarta-feira (26).

O ponto central em debate é o ritmo de elevação das taxas dos juros básicos da economia do país, que desde o início da pandemia estão praticamente zeradas. A política monetária frouxa foi adotada no momento em que a paralisação de atividades para enfrentar a transmissão da Covid impunha a necessidade de estimular crédito e geração de empregos.

Agora é a hora do aperto. Os juros precisam subir porque dificultar o crédito é uma das formas de tirar dinheiro do mercado e, assim, esfriar a inflação. Mas também há incertezas quanto à efetividade dessa medida. A inflação que Estados Unidos e a maior parte do mundo tentam combater foi causada pela escassez de produtos gerada pela pandemia, que ainda não acabou.

A dificuldade em prever o rumo da inflação e o nível do aperto monetário vem provocando turbulências. Os principais índices negociados em Nova York fecharam em ligeira alta nesta terça-feira (24) após quase um dia inteiro de fortes baixas. A virada marcou a sessão mais volátil em Wall Street desde outubro de 2020.

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Para tornar o cenário ainda mais complexo, a Rússia posiciona tropas em regiões fronteiriças da Ucrânia. Uma invasão poderia desencadear um conflito diplomático e, até mesmo, militar envolvendo Estados Unidos e outras potências econômicas.

A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo, cujo preço ronda o patamar mais alto em mais de sete anos. Os rumos do embate podem resultar em escassez, o que pode significar valorização da commodity e alta nos combustíveis. Seria mais um impulso à inflação global.

Nesta terça, o barril do petróleo Brent subia 0,67%, a US$ 86,85 (R$ 477,38). Apesar de também pressionar a inflação por aqui, a valorização da commodity beneficia a Bolsa brasileira porque favorece as ações de algumas empresas do Ibovespa. A principal delas, a Petrobras, subia 0,22%.

Ainda no setor de commodities, as ações da Vale subiam 1,07%, na esteira dos ganhos nos contratos de minério de ferro exportados para a China. A expectativa de uma política expansionista de Pequim, na contramão dos apertos monetários adotados pelas principais economias, vem estimulando os setores de mineração e de siderurgia no Brasil.

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Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, alertou em seu boletim matinal que o mercado ainda digere a aprovação do Orçamento de 2022 e isso também pode gerar pressão negativa à Bolsa e pressionar a alta do dólar.
Em ano eleitoral, o mercado está especialmente atento aos gastos públicos e à capacidade do governo de cumprir o Orçamento.








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