Menu
Economia

Bolsa sobe mais de 1% e dólar recua com eleição e petróleo no radar

Por volta das 12h30, o Ibovespa subia 1,45%, aos 208.069 pontos, com ações de bancos e varejistas em alta

Redação Jornal de Brasília

20/10/2026 13h33

acoes bolsa de valores bovespa mercado financeiro

Foto: Divulgação

FOLHAPRESS

A Bolsa sobe mais de 1% nesta terça-feira (20), em pregão com poucos indicadores econômicos previstos, enquanto investidores acompanham o cenário eleitoral e os preços do petróleo no exterior.

A disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), com o senador à frente nas pesquisas, mantém no radar a possibilidade de alternância de poder. A expectativa de mudanças na condução da política econômica, especialmente na área fiscal, é apontada como um dos fatores de valorização dos ativos brasileiros.

No exterior, as oscilações do petróleo também influenciam os negócios. A alta da commodity pode favorecer ações de empresas produtoras, enquanto a queda pode aliviar pressões inflacionárias e contribuir para o apetite por risco.

Por volta das 12h30, o Ibovespa subia 1,45%, aos 208.069 pontos, com ações de bancos e varejistas em alta. No mesmo horário, o dólar recuava 0,60%, a R$ 5,106.

No cenário doméstico, a disputa pela Presidência permanece no radar dos investidores às vésperas do segundo turno, marcado para domingo (25). Uma nova pesquisa Quaest está prevista para esta quarta-feira (21), enquanto um levantamento do Datafolha deve ser divulgado na quinta-feira (22).

Os levantamentos têm apontado uma redução da diferença entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Na véspera, a pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou o senador com 50,3% dos votos válidos, ante 49,7% do presidente. Os dois estão tecnicamente empatados.

A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada na terça-feira (13), Flávio tinha 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% de Lula. As oscilações ficaram dentro da margem de erro, mas a diferença numérica entre os candidatos caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual.

“O mercado segue demonstrando otimismo com a possibilidade de alternância de governo e a expectativa de maior compromisso com o ajuste fiscal”, afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável e sócio da Veedha Investimentos.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, por sua vez, chama a atenção para a volatilidade. “Na ausência de indicadores econômicos, o trade eleitoral segue sendo o principal catalisador do Ibovespa. É sempre importante lembrar que, entre o primeiro e segundo turno das eleições, o Ibovespa historicamente apresenta um aumento significativo da volatilidade”.

A candidatura de Flávio é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, um dos fatores apontados para a valorização recente da Bolsa e do real.

A expectativa de maior controle da dívida pública tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, aliviando a curva de juros futuros. Taxas menores, por sua vez, podem reduzir o custo do crédito para as empresas e melhorar as perspectivas de lucro, favorecendo o mercado acionário.

No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos.

O dólar recuou para menos de R$ 5, e os juros futuros caíram mais de 100 pontos-base ao longo da semana seguinte à votação.

A política econômica de Flávio, contudo, ainda gera dúvidas. Como mostrou a Folha de S.Paulo, sua equipe estuda um ajuste inicial de cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), equivalente a R$ 250 bilhões, com medidas como limitar os ganhos reais de benefícios previdenciários e do BPC e acabar com os pisos constitucionais de gastos com saúde e educação. Flávio, porém, nega que pretenda adotar essas medidas.

No exterior, o mercado acompanha a movimentação do petróleo. Por volta das 12h, o Brent, referência mundial, recuava 2,57%, a US$ 106,61, após atingir US$ 111,75 na máxima do dia, por volta das 6h30. O valor foi o maior desde 5 de maio.

A oscilação reflete a incerteza em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã. O petróleo vinha subindo desde a semana passada, quando o Irã começou a anunciar casos de navios incendiados no estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte da commodity. Antes do conflito, a passagem concentrava cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Ao menos seis embarcações foram danificadas desde então, incluindo duas nesta terça-feira.

Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, a alta do petróleo aumenta a aversão global ao risco, o que tende a prejudicar mercados emergentes como o Brasil. O país, contudo, é exportador líquido da commodity, o que ajuda a atenuar a pressão sobre os ativos domésticos.

“No caso do Brasil, que é um país exportador líquido de petróleo, esses preços mais altos acabam também beneficiando o real, por conta da maior entrada de moeda estrangeira na conta comercial”, afirma.

O risco de interrupção do fluxo de petróleo na região pressiona a inflação e preocupa bancos centrais, que avaliam os efeitos da guerra sobre a política monetária. Por outro lado, a valorização da commodity favorece as perspectivas de receita e rentabilidade das petroleiras e pode aumentar a atratividade de ações brasileiras para investidores estrangeiros.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado