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BC vai acelerar ritmo de elevação dos juros, afirmam analistas

Sendo assim, a taxa básica juros subiria para 5,25% ao ano. Os analistas também estimam que outro aumento nesse ritmo tende a ocorrer

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Douglas Gravas
FolhaPress

A grande aposta dos analistas é que a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, que ocorre nesta terça e quarta-feira (3 e 4), determine um aumento de um ponto percentual na Selic. Sendo assim, a taxa básica juros subiria para 5,25% ao ano. Os analistas também estimam que outro aumento nesse ritmo tende a ocorrer na reunião seguinte.

A Selic tem sido pressionada pela alta da inflação, e o diagnóstico é que não resta ao Banco Central outra alternativa além de subir os juros -por mais que esse movimento impacte na recuperação econômica após a crise provocada pela pandemia de Covid-19.

O ano começou com uma Selic em 2%. No entanto, a taxa está em alta desde março. Segundo a maior parte dos analistas e dos agentes de mercado ouvidos pelo último boletim Focus, a taxa básica deve terminar 2021 em 7% ao ano. Para o fim de 2022, a estimativa do Focus é que a taxa básica mantenha esse mesmo patamar. E, tanto para 2023 quanto para 2024, a previsão é 6,5% ao ano.

A estimativa para o IPCA, considerado a inflação oficial do país, também sofreu revisões para cima. Passou de 6,56% para 6,79% no Focus -bem acima do teto da meta, de 5,25%. Luís Eduardo Assis, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, lembra que a inflação vem de uma combinação rara de choque de preços de commodities e desvalorização cambial. Como a economia estava parada nos primeiros meses da pandemia e começou a andar de repente, a retomada veio com uma pressão de repasses de preços, diz.

“Mas ter de subir juros com quase 15 milhões de desempregados é uma situação diferente de tudo que este país já viveu. Temos, no entanto, um governo acuado e sem credibilidade, com a política econômica largada à própria sorte e só resta ao BC ter de subir juros”, afirma. Ele acrescenta que juros altos significam desaceleração da economia. E, se a pandemia foi impactante no ano passado, a tendência é de uma perda de fôlego na recuperação, com os juros mais elevados.

Segundo Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre FGV, nada vem de graça, e a alta de preços atual é também o resultado de uma recuperação maior do que se imaginava no começo do ano. Agora, também pressionam os preços a alta de combustíveis, os aumentos nas tarifas de energia elétrica, efeito do uso de térmicas por causa da crise hídrica que reduz a produção em hidrelétricas, bem como as altas nos preços de alimentos, também, em alguma medida, efeito de alterações climáticas.

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Matos lembra que, para o ano que vem, causa preocupação que a pressão sobre os preços se mantenha. Há uma percepção de que a inflação está mais generalizada e ainda não se tem uma estimativa de quanto tempo isso vai durar. Para 2022, a estimativa de inflação do Focus é de 3,81%, acima do centro da meta para o ano, de 3,50%.

Já o UBS BB aumentou suas previsões para a taxa básica de juros no fim do ano e agora vê a Selic em 8% ao ano. A instituição também espera que o BC acelere o ritmo de altas dos juros para um ponto percentual nesta quarta. Com isso, os juros terminam este ano já acima do nível neutro, considerado em torno de 6,5%.
Para Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP, o BC foi se ajustando a cada cenário de inflação ao longo do ano. “A inflação mostrou maior resiliência do que se imaginava no começo do ano. Ainda há um alto grau de incertezas na economia, e ao longo das reuniões, o BC precisou se adaptar.”

Ela ressalta que, além de acompanhar a decisão do Copom, também será crucial ver o tom do comunicado do BC, para entender o que esperar para os próximos meses. “Na nossa visão, alguns dos efeitos de incerteza parecem ser temporários e os principais bancos centrais do mundo têm tido uma política expansionista, com baixas taxas de juros. Mesmo com a alta de juros, a gente reviu o crescimento do PIB para 5,5% em 2021.”

A Necton também estima duas altas seguidas de juros de um ponto percentual e uma Selic em 7% ao ano no fim de 2021. O Banco Original é outra instituição que espera que o comportamento das projeções confirme o entendimento de que o BC deve decidir elevar a Selic em um ponto.

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Esse movimento, avalia o banco, aumenta a chance de o Brasil entrar em patamares restritivos de juro real. Dada a aceleração da inflação de serviços no IPCA-15 de julho e o aumento das expectativas para a inflação para 2022, a Genial Investimentos também espera que o Copom aumente a Selic em um ponto percentual e antecipe um novo aumento de mesma magnitude na próxima reunião.








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