O segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir de 2027, começará sob pressão de desafios econômicos que envolvem as contas públicas, o custo do crédito e a perda de fôlego da atividade. Analistas avaliam que o governo precisará apresentar um plano consistente de ajuste fiscal para estabilizar a dívida pública e abrir espaço para a redução dos juros. O cenário também inclui famílias e empresas endividadas, inflação persistente e incertezas no mercado internacional.
A dívida bruta brasileira está próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano. Estimativas citadas por economistas indicam que estabilizar a dívida exigiria um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões ao longo de quatro anos. No mercado financeiro, a expectativa é de crescimento econômico mais lento: o Boletim Focus projeta expansão de 1,83% em 2026 e de 1,32% em 2027. Para especialistas, mudanças nas despesas públicas e nas regras de benefícios serão importantes para melhorar as expectativas e permitir cortes sustentáveis dos juros.
O endividamento das famílias e das empresas também preocupa. Dados mencionados no levantamento apontam 83,9 milhões de brasileiros inadimplentes, enquanto a taxa de inadimplência das famílias nas operações de crédito livre chegou a 8% em agosto. Ao mesmo tempo, a inflação pode continuar pressionada em 2027 por fatores externos e climáticos, como conflitos geopolíticos e o fenômeno El Niño, que pode afetar a produção agrícola e os preços dos alimentos. No comércio exterior, o governo terá de lidar com o protecionismo internacional, as tensões entre Estados Unidos e China e a necessidade de ampliar as exportações de produtos manufaturados.
Outro compromisso será conduzir a implementação da reforma tributária, que prevê a substituição de tributos federais pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), além de mudanças graduais nos procedimentos de arrecadação. A transição exigirá regulamentações, ajustes na documentação fiscal e coordenação com estados, municípios e empresas. Também estão previstas etapas para a adoção do sistema de split payment, mecanismo de recolhimento de tributos no momento da transação. Para economistas, a capacidade de conciliar essas mudanças com o controle das contas públicas será decisiva para a trajetória da economia no próximo mandato.