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Preparação para o Enem: do cronograma de estudos às dicas de ouro para a redação

A menos de um mês do Exame Nacional do Ensino Médio, estudantes intensificam rotinas de estudo

Luiza Melo

13/10/2026 16h36

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estudantes intensificam a rotina de estudos e se organizam para os dois dias de prova. O vestibular, que está marcado para os dias 8 e 15 de novembro, é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil.

No primeiro dia, os participantes farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; e Redação. A aplicação terá a duração de 5 horas e 30 minutos. No segundo domingo, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, com duração de 5 horas.

As notas do exame são utilizadas para seleção de estudantes por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e do Programa Universidade para Todos (Prouni), além de servirem de requisito para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O Enem também pode ser usado para processos seletivos próprios de universidades e faculdades e para convênios com instituições de ensino superior de Portugal.

O aluno do Jovem de Expressão, cursinho popular da Ceilândia, Matheus Lima pretende ingressar no curso de medicina veterinária, e para isso, tem conciliado a rotina entre o trabalho e o cronograma de estudos. As horas livres do dia são reservadas para uma leitura rápida ou até mesmo uma pequena revisão.

“Tento encaixar o horário de estudo no tempo que eu consigo, porque eu trabalho o dia todo. Tento estudar às vezes no ônibus, no metrô. Às vezes não dá nem para estudar, mas eu organizo meu horário tentando ir para as aulas. Quando estou indo para o trabalho, já aproveito para ler alguma coisa. Se chego do trabalho cedo, já vou ler, estudar, fazer um cálculo”, detalha.

Para ele, as matérias mais difíceis são as de exatas – química, física e matemática – além da redação. E para sanar as dificuldades, opta por focar cada vez mais nessas disciplinas. No entanto, não segue uma estratégia específica.

“Tento organizar o tempo que tenho, estudar mais cálculos, química e física. Em relação ao que eu tenho mais receio, acho que além de matemática, é a redação. O que eu mais me preocupo para o dia da prova é realmente a redação”, conta.

A parte da redação é uma das principais preocupações dos estudantes que se preparam para o Enem. Responsável por uma boa colocação na prova, é exigido a escrita de um texto dissertativo argumentativo sobre algum tema da realidade brasileira.

A aluna do ensino médio Letícia Martins também partilha da mesma apreensão que Matheus. Para se aperfeiçoar na redação, contratou um mentor para auxiliar nas atividades, além do reforço nas aulas de um cursinho pré-vestibular particular.

“Minha rotina é dividida em dois momentos. Pela manhã, estou no cursinho, com aulas e resolução de exercícios. Pela tarde, estudo em casa, seguindo o cronograma que acompanho pela plataforma. Esse cronograma organiza o que devo estudar a cada dia, e meu mentor revisa o planejamento comigo ao longo da semana, ajustando conforme meu desempenho. Reservo cerca de 4 horas diárias para o estudo individual, com uma pausa curta a cada hora e meia, e mantenho um dia mais leve para descansar”, relata.

Dicas de redação

Apesar de representar um peso significativo na soma total da prova, há alguns truques para se sair bem na hora de escrever o texto. A professora de redação do Jovem de Expressão, Daniela Souza revela quais são as dicas para um texto nota mil.

“As dicas que eu dou são especialmente três. O primeiro é a estrutura do texto. O aluno tem que dominar a estrutura, que consiste em introdução, desenvolvimento e conclusão. E na conclusão tem que ter uma boa proposta de intervenção. Essa é a segunda dica. Uma boa proposta de intervenção vale 200 pontos. E por último, mas não menos importante, uma das coisas mais importantes que tem, é o uso do repertório sociocultural. Isso significa que a redação precisa dialogar com algum texto que não esteja na prova. Um livro, um filme, um dado estatístico, uma série da Netflix, um vídeo no YouTube, desde que esteja referenciado”, explica.

E fica o alerta da professora: “O Enem não está gostando mais dos repertórios de bolso, que são aqueles repertórios coringas. Sempre peço pros estudantes montarem um caderninho de repertório com livros, com filmes, obras que conseguem dialogar com a realidade brasileira”.

Além disso, a professora ressalta que a administração do tempo de prova é fundamental. O ideal é separar ao menos uma hora e meia para fazer o texto. Checar o tema da redação antes de iniciar as questões também vale a pena. “Sempre recomendo que os alunos já olhem o tema e depois já comecem a pensar [no texto] separando uma hora e meia, por exemplo. Faz a prova e deixa sobrar uma hora e meia, vai para redação, escreve, passa para a folha definitiva e o que sobrar volta e vai terminar a prova”, aconselha.

Durante a preparação ao longo do ano com os estudantes, Daniela aposta em alguns temas que podem cair na redação. As desse ano foram: mudanças climáticas, inclusão de alunos neurodivergentes no aprendizado, migração forçada devido às mudanças climáticas, a importância da leitura na formação crítica dos estudantes e a formação do senso crítico para o combate à desinformação e fake news.

E para o grande dia, a dica de ouro é descansar bem na noite anterior e relaxar, não é hora para estudos, apenas uma pequena revisão se o estudante sentir necessidade. “A dica que sempre dou é relaxar. Não existe prova da vida. Tem outros vestibulares, ano que vem tem mais, tenha fé, esperança. Para pessoas que são religiosas é legal fazer uma oração. Se concentrar, fazer uma meditação. Praticar yoga, uma atividade mais concentrada, ajuda muito a não perder o eixo na hora da prova”, ressalta.

Opções acessíveis de estudo

Para auxiliar os estudantes na preparação, o Ministério da Educação (MEC) disponibiliza ferramentas gratuitas. Neste mês, foi anunciado a atualização do MEC Enem, que possui acesso ilimitado a simulados, banco de exercícios, vídeo aulas e orientações exclusivas para a prova de redação.

Os estudantes também podem recorrer a outros aplicativos como o MEC Idiomas, voltado ao aprendizado de línguas estrangeiras, e a biblioteca digital do MEC Livros, que reúne diversas obras

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