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Ciro Gomes reage a notícia-crime de militares e vê ação política a mando de Bolsonaro

O Ministério da Defesa e as Forças Armadas apresentaram à PGR uma notícia-crime contra o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes

Por FolhaPress 24/06/2022 8h54
Foto: Evaristo Sá/AFP

O Ministério da Defesa e as Forças Armadas apresentaram à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma notícia-crime contra o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes.

Em nota conjunta, em que anunciam a medida, as instituições criticam o que chamaram de “irresponsáveis declarações”.

Na última terça-feira (21), em uma entrevista à rádio CBN, Ciro disse que as Forças Armadas são coniventes com os crimes ocorridos na região da Amazônia.

Segundo o político, o narcotráfico é claramente protegido por autoridades brasileiras.

Ciro reagiu nesta sexta-feira (24). Em nota, afirmou defender as Forças Armadas e disse ver uma ação política do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, por ordem do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Bolsonaro destruiu as raríssimas bases de comando e controle: ele desmontou o ICMBio, desmontou a Funai, desmontou o Ibama, destruiu a capacidade operacional das Forças Armadas, que não têm efeito, verba, tecnologia para administrar a imensa faixa de fronteira seca”, disse ele na entrevista à rádio CBN.

“E isso acabou transformando o território nessa holding do crime, claramente protegida por autoridades brasileiras, inclusive das Forças Armadas”, afirmou Ciro Gomes. .

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As afirmações, segundo a pasta, “afetam gravemente a reputação e a dignidade” das instituições. As duas instituições afirmaram que “muito se orgulham” de trabalhar pela defesa e proteção da região e no “combate a ilícitos ambientais e transfronteiriços”.

“Não é admissível, em um Estado democrático, que sejam feitas acusações infundadas de crime, sem a necessária identificação da autoria por parte do acusador e sem a devida apresentação de provas, ainda mais quando dirigidas a instituições perenes do Estado brasileiro”, diz a nota.

O pedido de investigação enviado à PGR fala nos supostos crimes de “incitar, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade” e “propalar fatos, que sabe inverídicos, capazes de ofender a dignidade ou abalar o crédito das Forças Armadas ou a confiança que estas merecem do público”.

Em nota nesta sexta, Ciro disse que ter sido “surpreendido por uma nota agressiva e intempestiva do comando das Forças Armadas, que, além de descontextualizar por completo o que afirmei (…), ameaça-me com notícia crime, equivocadamente baseada nos artigos 286 do Código Penal e 219 do Código Penal Militar”.

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Segundo ele, a nota explicita o grau de politização do atual comando das Forças Armadas e
“tenta distorcer a crítica que fiz ao notório descontrole que impera, em áreas da Amazônia, onde uma holding do crime age impunemente”.

“Ao responder pergunta específica do jornalista, exerci meu direito de liberdade de expressão, sem excesso ou qualquer discurso de ódio. Muito menos com desrespeito a uma instituição que prezo e defendo. Inclusive, afirmei, na mesma entrevista, que os militares são elementos essenciais a um Projeto Nacional de Desenvolvimento, além de ressaltar a importância do fortalecimento das Forças Armadas em um possível governo que eu venha a presidir”, disse.

“Não me surpreende, portanto, que a iniciativa desta ação política contra mim -e contra a minha candidatura- parta de um ministro da Defesa que, possivelmente obedecendo ordens de seu comandante supremo, vem se notabilizando por tentativas de interferência no processo político. Como fez, recentemente, em relação ao Tribunal Superior Eleitoral.”

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