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Brasil

Vitaminas em excesso pode trazer problemas

Arquivo Geral

06/11/2010 10h29

Renata Rios

Renata.rios@clicabrasilia.com.br

 

 

Uma dieta balanceada conta, entre outras coisas, com várias vitaminas e minerais. Com a correria que vivemos atualmente, é cada vez mais comum as pessoas se recorrerem aos fast foods. O déficit de vitaminas pode trazer vários problemas. Mas e o excesso?

 

Algumas vitaminas em demasia causam problemas para nosso corpo.  Pílulas de suplemento vitamínico são cada vez mais comuns nas bancadas das farmácias. Estes medicamentos prometem mais energia e concentração para quem os utiliza. O problema é que nosso corpo deve ingerir uma determinada quantidade de cada vitamina e mineral. Muitas destas substancias em excesso adquirem um efeito tóxico para o organismo.

 

 Mariana Menezes é estudante. Ela tem 20 anos e uma dieta saudável, não tem motivos aparentes para tomar suplementos vitamínicos. Porém há alguns meses a jovem foi à ginecologista, após fazer uma serie de exames, que não detectaram nenhum problema com a saúde da garota, a medica sugeriu que Mariana tomasse um suplemento vitamínico. “A ginecologista me falou que eu ficaria mais disposta e que este remédio não teria efeitos colaterais negativos”, conta Mariana.

 

orém, após dois meses de uso, Mariana refez os exames e estes indicaram um problema no fígado. “Fiquei muito preocupada. Várias doenças se manifestam no fígado, como a Hepatite e Cirrose”, relembra Mariana. Ela ainda conta que não sentiu nenhuma melhora com o uso do suplemento. “Não senti nenhuma diferença enquanto tomava as pílulas. Nem melhorei nem piorei, mas não foi o que os exames mostraram”, afirma a jovem.

 

Problema recorrente

 

A nutricionista Denise Samari Pelles, formada pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, explica que estes medicamentos de fato fazem a pessoa se sentir mais disposta. “Para quem tem problemas de falta de vitaminas, recomendamos estes suplementos em um primeiro momento. Após algum tempo usamos apenas alimentos para suprir essas necessidades”, conta a especialista.

 

 A estudante de direito, Bianca Pernambuco, de 21 anos, costumava ter dificuldade para acordar e se sentia muito cansada durante o dia. “Meu pai me sugeriu começar a tomar estas vitaminas. Me sinto bem melhor e mais disposta. Ficou bem mais fácil acordar”, conta Bianca, que já utiliza as vitaminas à três semanas.

 

Algumas pessoas recorrem à auto medicação na hora de usar suplementos. O problema é que as dosagens nessas pílulas não são exatamente o que cada indivíduo precisa. O uso prolongado não é recomendado.“Receitamos estas vitaminas por alguns meses, no máximo três”, afirma a nutricionista. Os medicamentos recomendados por especialistas costumam ser manipulados, para se adequar às necessidades de cada paciente.

 

Denise conta de um caso em que uma grávida teve problemas por excesso de vitamina B9, acido fólico. “Essa vitamina serve para ajudar o sistema nervoso do bebê a se desenvolver. Em excesso ela causa muito enjôo na grávida”, explica a doutora. Estudos apontam que o ácido fólico em excesso pode ser até causador de abortos. Porém esta hipótese não foi confirmada.
 

Além deste caso, a nutricionista lista mais alguns problemas que o consumo em demasia pode causar. “O cálcio, quando não absorvido, se acumula nos rins. Uma pessoa com muito deste mineral no organismo pode ter cálculos renais, mamários ou na vesícula”,  complementa.

 

Nem todas as vitaminas causam problemas quando consumidas em demasia. “Vitaminas hidrossolúveis são facilmente descartados por meio da urina. O problema com excesso acontece em minerais e vitaminas lipossolúveis”, a doutora explica. Isso significa que caso o corpo necessite de 1mg de determinada vitamina hidrossolúvel e a pessoa tome quatro vezes esta quantidade o excesso será liberado na urina.

 

Um intestino íntegro e com um bom funcionamento facilita a absorção de substâncias. Entretanto não adianta a ingestão de apenas uma vitamina ou mineral especifico. Muitos desses nutrientes necessitam ter outras substâncias para serem aproveitados. “A falta de um nutriente pode levar a toxidade de outro”, esclarece Denise. O cálcio, por exemplo, depende da vitamina D para ser absorvido. “Grande parte da população brasileira tem deficiência nos níveis de vitamina D. Isso ocorre pela falta de exposição a luz solar, que estimula a fixação da vitamina”, explica Denise.

 

Preferência dos jovens

 

As visitas ao nutricionista também são cada vez mais de um público jovem. “A maioria das pessoas que nos procuram tem entre 23 e 48 anos”, conta a Denise. Estas visitas normalmente são relacionadas à vontade de perder peso ou à atividades físicas.

 

Para uma alimentação balanceada é importante seguir as doses de vitaminas indicadas para cada idade. Essas quantidades variam com o sexo, a idade e se a mulher está ou não em período de gestação.
 

Saiba mais:
 

As vitaminas podem ser divididas em dois grupos: lipossolúveis e hidrossolúveis.
 

Lipossolúvel: é solúvel em gordura e em solventes orgânicos. Estas substâncias em excesso podem ter um grau de toxidade.
 

Hidrossolúveis: são facilmente transportadas e de difícil armazenamento. O excesso destas vitaminas é descartado pelo corpo, por meio da urina e não causam nenhum efeito colateral.
 

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