Thatyane Nardelli
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Urinar durante a madrugada é um hábito mais comum do que se imagina e pode estar relacionado a diversos problemas de saúde, bem como a fatores de ordem psicológica. Estudo feito pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que essa disfunção pode ser considerada um problema hereditário. O estudo mostra que há 77% de chances da criança herdar o problema dos pais.
De acordo com o médico Rogério Vitiver, da Clínica Miletto Urologia de Brasília, de 15% a 20% das crianças acima de cinco anos apresentam a chamada enurese noturna. Além da possibilidade de ser hereditária, no âmbito emocional, situações desafiadoras vivenciadas pela criança também podem estar por trás do quadro.
Carla Adriana, mãe do pequeno Ian Gabriel, prestes a completar seus cinco anos, está no impasse com o filho. “Ele não usa mais fralda. Porém, quando ele vai dormir, é preciso colocar pois o problema se repete diariamente”, conta Carla.
Antes de ir para a cama, Ian costuma pedir leite à mãe. Neste caso, especialistas orientam os pais a evitar que as crianças bebam líquidos durante a noite. Este pode ser um fator que crie o hábito da criança urinar na cama. “Estou tentando tirar o leite antes de dormir, mas é muito difícil. Durante a tarde, na creche, ele costuma fazer xixi na roupa também”, lamenta a mãe de Ian.
Adultos também sofrem
A funcionária pública Taís Albina, de 24 anos, revela que até hoje passa pelo constrangimento até hoje. “Com meu novo namorado fiquei embaraçada quando aconteceu pela primeira vez, mas, ele entendeu. Fiquei aliviada”, conta Taís. O psicólogo Renato Miranda afirma que o problema pode acontecer quando o psicológico está alterado. “Muitas vezes este fator é o que mais influência”, diz Miranda.
O estudo também confirma a ponderação do psicólogo. Muitas vezes, esta disfunção miccional pode se constituir de fatores psicológicos. Taís revela que quando está muito ansiosa ou com algum problema emocional, o hábito é mais constante. “Geralmente acontece quando estou com dificuldades no trabalho, muito estresse, não consigo controlar e acontece”, lembra ela.
Tratamento
Para diagnósticos de fundo fisiológico, o Dr. Vitiver informa que existem medicamentos específicos. “Administrados por via oral, apresentam grande eficácia. Paralelo ao tratamento medicamentoso, a criança deve ser orientada no sentido a disciplinar seu hábito miccional, por exemplo, urinando a cada 4 horas durante o dia, além de evitar ingestão de líquidos antes de dormir”, esclarece. Em outras situações, o suporte psicológico é imprescindivel.
A terapeuta familiar Mônica Mulatinho, da Cia do Adolescente & Família, ressalta que atitudes repressivas e punitivas trazem complicações. “Educar demanda paciência, até porque na fase em que a criança começa a deixar a fralda – por volta dos dois anos – embora compreenda parte do que dizem os pais, ela ainda não tem controle sobre a própria bexiga”, explica a terapeuta.
A médica ensina que os responsáveis devem acostumar os pequenos desde cedo ao uso do pinico. “É necessário condicionar a criança a fazer as necessidades naquele local. Na escola, os educadores devem adotar a mesma conduta”, comenta Mônica.