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Turismo é alternativa ao desmatamento da Amazônia

Por Arquivo Geral 19/11/2018 7h00
Foto: Rafaela Gonçalves/Especial para o Jornal de Brasília

Rafaela Gonçalves
Especial para o Jornal de Brasília

O histórico de exploração repleta de erros da Floresta Amazônica começa a se transformar com alternativas sustentáveis voltadas para a economia local. Entre as principais vocações para a bacia do Rio Negro estão as atividades turísticas, a pesca esportiva e o sol e a praia no período de seca.

Roberto Brito de Mendonça, morador da comunidade de Tumbira, herdou do avô a atividade de extração de madeira ilegal. Aos 12 anos já praticava o desmatamento para subsistência. Depois de 20 anos carregando a motosserra diariamente, se deparou com uma nova oportunidade: a proposta de transformar as comunidades em Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), para a conservação e melhoria da qualidade de vida dos ribeirinhos.

Hoje, o dono de pousada com base no turismo comunitário deixou a atividade ilegal. “Quando recebi o primeiro grupo de pessoas eu não sabia bem o que fazer. Foi aí que me disseram para eu levar para o mato como eu ia todo dia tirar madeira”, conta, para emendar com ânimo: “Foi aí que, ao invés de ir com a motosserra, passei a levar turistas, me dei conta de que as pessoas querem ver, e fui tomando gosto”. Em sua primeira fonte de renda pelo turismo, obteve retorno em cinco dias o que levava em média um mês com a extração de madeira.

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) investiu na educação e preparação dos ribeirinhos, estabelecendo estratégias para empreendedorismo, com recursos disponíveis e menor dano ambiental. A implantação de unidades escolares nas comunidades insere os jovens em projetos voltados para o desenvolvimento sustentável e busca olhares do mundo para a Amazônia.

A comunidade do povo Kambeba, localizada na Comunidade Três Unidos, a duas horas de lancha voadeira de Tumbira, sobrevive principalmente da atividade turística. “Melhores espaços vieram quando a fundação criou núcleos de educação, dando oportunidade aos jovens das reservas de quem sabe até ir para o ensino superior”, diz o chefe da comunidade, Valdemar Tuchaua.

Em reformulação

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O Plano Nacional de Turismo está sendo reformulado. Entidades governamentais da região buscam os principais problemas baseados na gestão, produto, marketing e infraestrutura. “Estamos trabalhando hoje nos municípios fazendo oficinas de planejamento para levantar o diagnóstico do que mais atrapalha o desenvolvimento local e promovendo a capacitação das comunidades de acordo com a demanda turística” conta o professor e guia Francisco Girão, da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur).

Alternativas para a economia regional são uma das grande preocupações pelo aquecimento global. O biólogo e cientista norte-americano Philip Fearnside, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2007, que atua ativamente em questões ambientais pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), alerta para o caso. “Quando pensamos em desenvolvimento, sugerem as grandes obras como a da hidrelétrica de Belo Monte, que induzem o desmatamento”, reclama Fearnside para o grupo de jornalistas convidados do Enecob/e-latino – representantes de jornais do México, Uruguai, Paraguai e Argentina, além de jornais do Amazonas. A press trip foi realizada nos dias 10 e 11 de novembro com navegação no Rio Negro e visitas a comunidades ribeirinhas para conhecer cases de sustentabilidade ambiental.

Fatores como a dificuldade de acesso e comunicação ainda são barreiras que precisam ser ultrapassadas para a consolidação da atividade turística, que surge como uma solução rentável para a economia e meio ambiente.

A repórter viajou a convite do Enecob/e-latino e da FAS

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