A polícia do Pará já tem a identidade e pode prender a qualquer momento um traficante de drogas que na madrugada do último domingo, para vingar-se de um homem que havia batido na mulher dele durante uma briga, mandou que dois comparsas ateassem fogo na casa do rival. Morreram carbonizadas seis pessoas da mesma família – quatro adultos, dentre estes uma mulher grávida de oito meses, além de duas crianças de cinco anos que dormiam e não tiveram tempo de escapar das chamas.
Outras 22 casas de madeira também foram destruídas pelo incêndio, deixando 109 pessoas desabrigadas. O caso comoveu a cidade de Belém, principalmente o bairro da Pedreira, onde as vítimas residiam. O delegado Glauco Nascimento da Silva, que comanda as investigações, afirma que vestígios de gasolina foram encontrados no local do incêndio criminoso. Ele disse que não revelaria o nome do suspeito para não atrapalhar o trabalho da polícia.
Segundo Silva, dois homens foram vistos na área espalhando combustível na parte da frente da casa do carteiro João Gomes Ferreira, de 53 anos, dono do imóvel e um dos mortos. O delegado apurou que Rogério Fernandes Gonçalves, genro do carteiro, estava sofrendo ameaça de morte por ter se metido em uma briga numa festa. O traficante teria jurado matar Gonçalves e toda a sua família. Ele só escapou porque na madrugada de domingo estava em uma festa em um bairro vizinho.
Os depoimentos na polícia de oito pessoas que tiveram suas casas destruídas revelam que os dois homens vistos no local espalhando gasolina invadiram residências dos fundos da vila, durante o incêndio, para escapar por outra rua. “Não sei como alguém pode ser tão cruel a ponto de matar inocentes para se vingar de alguém. Um criminoso desses e seus comparsas deveriam pegar prisão perpétua, mas infelizmente não temos isso no Brasil”, desabafou o taxista Valério Saldanha. A diarista Selma Ferreira, que mora na mesma rua das vítimas, disse ter passado mal ao acordar com a notícia da tragédia. “Chorei muito e precisei tomar remédio para me acalmar. Fiquei pensando nos momentos de horror que aquelas pessoas sofreram para fugir das chamas”.