FRANCISCO LIMA NETO
FOLHAPRESS
Um homem que seria suspeito de participação no atentado contra o policial militar Ronickson Pimentel dos Santos, 39, foi morto por agentes da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) em suposta troca de tiros na manhã desta quarta-feira (1º), no Jardim Guaianazes, na zona leste de São Paulo, de acordo com a corporação.
“Hoje, pela manhã, houve uma ocorrência de confronto com os policiais da Rota após a chegada de uma denúncia para a gente de que o indivíduo possivelmente teria uma participação indireta na ação”, afirmou Hillen Diniz, capitão da Rota, em entrevista no Palácio da Polícia.
Segundo o capitão, a polícia chegou até o homem por meio de informações fornecidas pela população do Disque Denúncia.
“As equipes analisaram as informações, localizaram o veículo e, na tentativa de abordagem, o indivíduo não se rendeu e efetuou disparos contra a equipe”, disse.
Ainda segundo o capitão, o homem não resistiu aos ferimentos.
Durante a madrugada, a polícia encontrou um Renault Logan branco, que foi utilizado no crime contra o policial, estacionado na rua Benjamin de Barros, na mesma região.
“Ele estava estacionado em um terreno e encoberto por uma capa cinza, o que chamou a atenção dos agentes. Ao se aproximarem, os policiais constataram, por meio da placa, que se tratava do mesmo carro”, afirmou a SSP (Secretaria da Segurança Pública).
O carro passou por perícia no local e foi levado ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) para nova análise.
“Nós temos imagens em que o indivíduo [possível atirador], que sobe na garupa da moto, ele sai de dentro desse Logan branco. Então, nós já temos essa certeza de que o indivíduo sai do Logan. O Logan está 100% envolvido com a moto”, diz o capitão Hillen.
Segundo ele, a polícia tem certeza de que o veículo foi usado no crime em São Caetano do Sul. As equipes agora analisam imagens de câmeras de vigilância para descobrir se o veículo também foi utilizado no planejamento e se já estava rodando pela cidade, em locais por onde o policial circulava. Essa é uma das hipóteses da investigação.
Hillen afirmou que ainda não se sabe a motivação do crime nem se há participação de alguma organização criminosa. “O que a gente já tem certeza é de que foi um crime planejado com antecedência”, declarou.
Pimentel apresentou sinais positivos de melhora após novas medidas tomadas pela equipe médica do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo, onde passou por complexa cirurgia neurológica de emergência após ser baleado na cabeça, no último sábado (27).
Na terça-feira (30), a equipe médica decidiu diminuir a sedação do policial. Entre os sinais positivos, estão a redução da necessidade de medicação para suporte da pressão arterial e uma boa resposta ao tratamento neurológico, com melhora dos parâmetros de monitoramento. Pimentel permanece sem febre e com os demais órgãos funcionando adequadamente.
“A equipe médica segue acompanhando o caso de forma contínua, com reavaliação diária das condutas em conjunto com a neurocirurgia”, afirmou a PM.
O PM foi alvo de disparos na manhã de sábado na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O policial estava à paisana, em uma motocicleta, parado em um semáforo, quando dois homens em outra moto se aproximaram e atiraram. Pimentel foi atingido na cabeça.
O tenente é irmão de Eloá Pimentel, morta pelo ex-namorado em 2008, em caso que chocou o país. Ele pertence ao 1º Batalhão de Polícia de Choque, a Rota, considerada uma tropa de elite da corporação paulista.
No domingo (28), a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de dois homens, de 40 e 52 anos, sob suspeita de envolvimento na tentativa de homicídio contra o policial.
Segundo a apuração policial, os homens presos teriam prestado apoio à ação, atuando de forma coordenada com os executores por meio de veículos que acompanharam a motocicleta utilizada no atentado antes e após os disparos.
O ataque foi planejado, com estudo prévio de horários e locais, conforme policiais ouvidos pela reportagem.
O passo a passo também é corroborado por um documento obtido pela Folha de S.Paulo, no qual a Justiça aponta não se tratar de delito praticado por agente isolado, mas de empreitada criminosa complexa que envolveu, ao menos em juízo inicial, múltiplos envolvidos com funções distintas.
“A dinâmica dos fatos indica, ainda, que não se trata de ação delitiva comum, mas de investida coordenada direcionada contra agente policial, com sinais evidentes de planejamento prévio, divisão de tarefas, utilização de veículos de apoio e estratégias de evasão e ocultação de vestígios, o que evidencia elevado grau de organização e periculosidade”, diz trecho do documento.
Suspeito de participação em atentado contra tenente, irmão de Eloá, é morto pela Rota
Homem foi localizado após denúncia e morreu em suposto confronto com policiais
Tenente Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel. Foto: Reprodução