A superbactéria KPC, que pode ser a causa de 18 mortes recentes no Distrito Federal e estar se espalhando por outros Estados, já preocupa quem tem parentes internados no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Desde 2008, o HC registrou 70 casos da cepa, resistente a quase todos os medicamentos disponíveis, como mostrou o Jornal da Tarde em reportagem publicada no sábado. A maior parte dos visitantes, que estava no hospital na tarde de sábado, desconhecia o problema. Mas quem já havia ouvido falar da bactéria, diz que gostaria de ser melhor informado pelo instituto.
“O médico poderia dizer se preciso tomar algum cuidado específico, como lavar mais as mãos. Em nenhum momento me orientaram”, afirma a empregada doméstica Socorro Souza, 46 anos, que visitava o namorado, internado para uma cirurgia no pé. Na última terça-feira, a balconista Odete Dias, 56 anos, ouviu pela primeira vez um comentário sobre o micro-organismo na enfermaria. “Meu pai está bem cuidado aqui, mas se há algum risco, quero entender”, diz. É a mesma opinião da dona de casa Wanda Pereira, 48 anos. “Explicando, pelo menos, não assusta tanto”, diz ela, que aguarda o marido passar por uma cirurgia de intestino.
A assessoria de imprensa do HC informou que no dia 13 será realizada uma reunião pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar para definir quais medidas serão tomadas. Em 2008, quando surgiram os primeiros casos, a única providência foi esclarecer o risco aos pacientes internados.
O infectologista Paulo Olzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) diz que não há motivo para alarme. “Em ambiente hospitalar é comum infecções por bactérias resistentes”. Ele afirma que não há risco de surgir uma epidemia que chegue às ruas. “A bactéria só é resistente em hospitais justamente porque há uma série de antibióticos disponíveis para ela se abastecer. Fora dali, perde força”.
O importante é identificar logo no início a infecção em um paciente internado para que os antibióticos sejam ministrados em tempo hábil. O hospital também deve investigar rápido onde foi o foco de surgimento do micro-organismo e isolar a área. Aos visitantes, o recomendado é não sentar nas camas dos pacientes. As informações são do Jornal da Tarde.
AE