Sessenta e cinco mulheres já procuraram a Polícia Civil (PC) afirmando terem sido vítimas do médico Roger Abdelmassih, preso em São Paulo, desde o último dia 17, quando foi acusado de estuprar 56 pessoas, a maioria ex-pacientes. A afirmação foi feita pela delegada titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Celi Paulino Carlota, segundo informações divulgadas no final da tarde de ontem pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo.
O médico, considerado um famoso especialista em reprodução assistida, está preso no 40º Distrito Policial em Vila Maria, capital paulista. O advogado dele nega as acusações. A secretaria informa que a delegada da DDM afirmou ter relatado um primeiro inquérito à Justiça com 61 vítimas do médico. Desse número, a Justiça aceitou a denúncia contra 56 mulheres, feita pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Os depoimentos das vitimas foram a base do inquérito da polícia e da denúncia da Promotoria.
A denúncia do Ministério Público foi aceita pelo juiz Bruno Paes Stranforini, da 16ª Vara Criminal da Capital. A Justiça só abriu processo criminal contra Abdelmassih por estupros porque, pela nova lei, o ato sexual não precisa ser consumado para se caracterizar o estupro.
Na mesma decisão do juiz, também foi decretada a prisão preventiva do médico. Como o relator do habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo indeferiu o pedido de liminar, a defesa tentou no STJ obter a liberdade de Abdelmassih. O ministro Felix Fisher, do STJ, negou, no entanto, na noite da última sexta-feira, a liminar em que o médico pedia para aguardar seu julgamento em liberdade. Após a prisão de Abdelmassih, mais quatro mulheres procuraram a polícia afirmando terem sido vítimas do médico, segundo Celi disse à secretaria.