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Brasil

Senival foi poupado pelo PCC porque se comprometeu a devolver dinheiro de empresa, diz polícia

De acordo com as investigações, o vereador seria o principal beneficiário dos repasses

Redação Jornal de Brasília

25/06/2026 16h52

senival

Foto: Divulgação/ Rede Câmara SP

ANDRÉ FLEURY MORAES E TULIO KRUSE
FOLHAPRESS


A Polícia Civil de São Paulo afirma ver indícios de que um ex-presidente da Transunião, pivô do esquema que prendeu o vereador Senival Moura (PT) nesta quarta-feira (25), tenha sido assassinado por integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2020 após descoberta de desvios financeiros na empresa.

De acordo com as investigações, o petista seria o principal beneficiário dos repasses. Ele só não foi morto, segundo autoridades à frente do caso, porque teria se comprometido a devolver os valores desviados.

A assessoria do vereador declarou na manhã desta quarta que prepara uma nota sobre o caso e que se manifestaria em breve, mas não informou quem está à frente da defesa.

O caso do homicídio ocorreu em 2020.

A vítima, Adauto Soares Jorge, presidia a Transunião na época mas, segundo a Polícia Civil, “encontrava-se em contexto de subordinação material a interesses paralelos, associados a indivíduos que, mesmo alheios ao quadro societário da empresa, exerciam ingerência efetiva sobre suas atividades empresariais”.

Os vetores dessa ingerência seriam o vereador Senival e seu aliado dentro da empresa, Leonel Moreira Martins, também alvo da operação desta quarta.

A atuação do vereador dentro da empresa era motivo de tensionamento entre integrantes do PCC, diz a investigação. A polícia chegou a apreender cartas num mandado de busca e apreensão anterior que, segundo as autoridades, mostram divergências internas sobre os rumos da Transunião.

Uma delas diz que “nós estamos limpando a empresa dessas pessoas de má-fé” e, referindo-se a Leonel: “já fechamos que ele também vai ser convidado a se retirar devido a várias situações deselegantes que deixou acontecer”.

Entre elas está a prática de “passar pano para o cabeça branca”, um dos codinomes do vereador Senival —também havia “véio”, “velhinho” e “vereador”, segundo as investigações.

Outro bilhete, também apreendido na busca e apreensão anterior, diz que Leonel “só fazia o que o véio e cabeça branca mandava, deixando bem claro que todos eles faziam parte dos desvios que vinham acontecendo na empresa”. A reportagem tenta localizar a defesa de Leonel.

A polícia diz ver elementos que apontam para um desvio de até R$ 15 milhões na Transunião, mas diz que os elementos colhidos até aqui “não permitem concluir que Senival e Leonel tenham sido integralmente afastados da dinâmica de poder relacionado à empresa”.

Duas pessoas respondem pela morte de Adauto: Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, que seria um diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.

A reportagem tenta contato com a defesa de Freitas.

Já o advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende Devanil, disse à Folha de S.Paulo que ainda não teve acesso aos autos, mas que considera desnecessária a prisão dele e que já pediu a revogação da prisão temporária. “Ele sempre colaborou”, afirmou.

Sobre o caso do homicídio, o advogado declarou que o caso ainda está na fase inicial.

A investigação afirma que “a provável motivação do homicídio estaria relacionado à condução irregular dos interesses financeiros do grupo” porque “Adauto Jorge estaria promovendo desvio de valores expressivos em benefício, ao que tudo indica, do vereador Senival”.

“O que mostrou a investigação em relação ao homicídio é que ele [Senival] foi perdoado mediante o ressarcimento do que havia sido desviado”, afirmou o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais).

Segundo ele, não há confirmação do valor exato que o vereador se comprometeu a devolver nem se houve comprovação do pagamento.

A polícia diz que o petista “instrumentalizou a Transunião para a operacionalização de um sistema financeiro clandestino”, voltado ao suporte econômico de indivíduos ligados ao PCC e vê conexões do caso com a operação de maio que deteve a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa no mês passado sob a suspeita de lavar dinheiro para o PCC. Ela nega irregularidades.

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