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Brasil

Rio de Janeiro vive descaso após tragédia

Arquivo Geral

17/05/2010 9h47

Passado pouco mais de um mês do temporal que matou pelo menos 51 pessoas no Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio, aos sobreviventes restam incertezas. A grande língua de terra e lixo que escorreu na favela construída em cima de um antigo lixão continua aberta na principal rua da comunidade. Segundo moradores, dez corpos ainda estão desaparecidos.

As máquinas já não trabalham nos escombros e as autoridades, que durante duas semanas visitaram a comunidade quase que diariamente, na semana passada eram representadas apenas por um funcionário da Defesa Civil municipal. Solitário, o rapaz de camisa branca e sem crachá era o único agente do estado na terça-feira na região, que por consequência das chuvas contabilizou 168 mortos e 7 mil desabrigados.

“Como faço para conseguir um laudo da Defesa Civil? A casa da minha mãe está quase desabando”, perguntou um motoqueiro, ao avistar o funcionário. “Está vindo gente de todos os bairros, uma confusão generalizada”, foi a resposta que obteve. O motoqueiro é morador de um morro vizinho ao Bumba e, depois de 35 dias da tragédia, tentava uma solução para os estragos da chuva.

O motorista Márcio Machado, de 36 anos, cumpre a rotina diária de ir ao local onde, até o desabamento, era sua casa. Sua mulher e os dois sobrinhos que o casal cria se salvaram porque no dia anterior à chuva faltou água na casa e eles saíram do imóvel. Afastado do trabalho por motivos de saúde, Machado questiona a forma como está sendo distribuído o aluguel-social. “O benefício só chegou para alguns. Como vocês podem ver, minha casa não existe, mas não consegui me cadastrar no programa.”

de mudança
Uma cena frequente na comunidade são os caminhões de mudança. Na terça-feira, mais uma moradora decidiu deixar a favela. Irene Cardozo, de 89 anos, estava abrigada numa escola municipal. No início do mês, recebeu os R$ 400 do aluguel-social e decidiu retirar seus pertences da casa que a Defesa Civil condenou. Sem conseguir alugar um imóvel, ela estava se mudando para a varanda da casa de uma irmã, fora do Bumba. “Eu tive de pagar R$ 150 para fazer o frete. Com o restante, vou comprar tijolo para fechar a varanda”, contou a doméstica aposentada.

Na semana passada, a prefeitura começou a remoção dos desabrigados acolhidos em escolas municipais e estaduais para um terreno do governo do estado, comprado do Exército, onde funcionava o 3.º Batalhão de Infantaria, no bairro Venda da Cruz. No local, há 700 pessoas, entre moradores do Bumba e de outras 34 comunidades afetadas pelas chuvas. O local virou alvo de cobiça de vítimas das chuvas que estão em abrigos considerados “não oficiais”.

 

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