O blogueiro e influencer Pedro Richardson, que deixou a vida em Londres para se tornar nômade digital durante a pandemia, fala sobre esse estilo de vida que está se tornando cada vez mais popular.
Com a pandemia e a necessidade de se fazer um isolamento, muitas empresas tiveram que adotar o trabalho remoto como uma forma de continuar suas atividades. À medida em que isso foi se normalizando, muitas pessoas no Brasil e no mundo decidiram mudar seu estilo de vida. O influencer Pedro Richardson, também conhecido como @travelwithpedro, é uma dessas pessoas.
Morando fora do Brasil desde 2001, quando se mudou para a Austrália para estudar Hotelaria, e em seguida para a Inglaterra, onde desenvolveu sua carreira de hoteleiro, ele conta que sempre se adaptou facilmente em diferentes países. Com a pandemia e o lockdown estrito no Reino Unido, ele se viu questionando por quê ainda estava no país, já que seu trabalho já não exigia morar por lá.
“Na primeira oportunidade que tive, quando o primeiro lockdown foi encerrado, fiz minhas malas, me desfiz do meu apartamento e me mudei para a Turquia”, conta.
O bairro de Balat, em Istambul (Foto: Pedro Richardson/Travel With Pedro)
Foi nesse momento que começou sua jornada como nômade digital – um termo utilizado para pessoas que trabalham online e não têm residência fixa, morando por períodos curtos em diferentes lugares.
Pedro Richarson conta que, embora já passasse a maior parte do ano viajando antes da pandemia, não ter um lugar para onde voltar tem seu peso pscicológico.
“É uma decisão importante e só recomendo este lifestyle para quem está preparado para abraçar o desapego. Ser nômade digital também funciona melhor para quem ganha em uma moeda forte e que vai morar em países mais baratos. Isso é uma maravilha, mas existem também algumas desvantagens”, comenta.
“Uma delas é a dificuldade com o idioma, já que muito possivelmente você vai morar em países onde não se fala inglês ou espanhol, que são as mais populares entre brasileiros”, explica Pedro, que é poliglota.
“No meu caso, embora já tivesse estado dezenas de vezes na Turquia, eu não falava turco quando me mudei pra cá. Como pouca gente fala inglês fora das áreas turísticas, me vi forçado a aprender o idioma. Tive um pouco de dificuldade no começo, mas aos poucos fui adquirindo mais fluência”.
Pedro comenta que o mesmo ocorreu quando se mudou para a Ucrânia por alguns meses em 2021. “Morei numa cidade onde se falava ucraniano e não russo, idioma que domino. A comunicação era complicada no começo, mas com o tempo e bastante esforço, consegui aprender um pouco da língua”.
O blogueiro de viagens também comenta que estar longe dos amigos é outra dificuldade. “Estou fora do Brasil há muito tempo, então já me acostumei com a distância da família. Mas ficar distante dos amigos que fiz nos últimos anos significa que estou, de certa forma, me desfazendo dos laços que criei com pessoas incríveis. Sim, porque o ditado ‘longe dos olhos, longe do coração’ é real! Por mais a gente se esforce, acabamos não participando da vida uns do outros e isso gera um certo distanciamento”.
Apesar dos desafios, Pedro comenta que ainda existem mais pontos positivos que negativos na sua vida de nômade digital. “Desde que saí de Londres, já morei na Turquia, Sérvia e Ucrânia. Agora estou de volta à Turquia. Meu turco já está num bom nível, o que para mim, que sou apaixonado por idiomas é muito gratificante”.
Além da possibilidade de aprender seu oitavo idioma, Pedro também vê como um ponto positivo a possibilidade de ver o mundo como um lugar quase sem fronteiras. “Hoje estou morando na Turquia. Amanhã posso estar em Bali, México ou na Tailândia. Sempre com o mesmo trabalho, sem ter a obrigação de me fixar em um único lugar. Mais do que nunca, meu codinome de Travel With Pedro (viaje com o Pedro) faz muito mais sentido agora”, conclui.