A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) abriu uma investigação para apurar uma denúncia de racismo contra a memória de Marielle Franco, ex-veradora assassinada em 2018. A informação foi divulgada pela instituição de ensino na sexta-feira, 30.
“Tomamos conhecimento de que um aluno da PUC-Rio proferiu palavras de cunho racista contra a memória de Marielle Franco, formada em Ciências Sociais nesta Universidade”, disse a instituição. Não foram dados detalhes sobre a ofensa racista.
Por meio das redes sociais, a filha de Marielle, Luyara Franco, disse que, em um grupo de WhatsApp, uma pessoa chamou a sua mãe de “macaca”, além de questionar como ela teria conseguido pagar a própria faculdade.
“Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio. Marielle não será apagada, esquecida ou silenciada. Sua história é motivo de orgulho e seguirá viva em nós”, afirmou Luyara.
“A gente está falando de uma mulher negra que ocupou a universidade, que construir sua trajetória com muito trabalho, inteligência e compromisso com a transformação da sociedade”, disse ainda a filha de Marielle.
Após as denúncias recebidas pela ouvidoria e pelo canal externo de denúncias, a PUC-Rio abriu uma investigação interna para apurar o ocorrido, no âmbito do seu Programa de Integridade, e segue adotando todas as medidas administrativas e legais cabíveis.
“Como universidade confessional e comunitária, ratificamos nosso compromisso com a promoção da justiça e a defesa da dignidade de cada pessoa. O racismo nega essa dignidade e fere toda a comunidade”, destaca a nota assinada pela reitoria da PUC-Rio.
A universidade reforça que Marielle, ao lado de outras referências que passaram pela universidade, como a professora Lélia Gonzalez, fortaleceu a luta e o pensamento sobre raça e gênero no País.
A PUC-Rio cita ainda que repudia veementemente qualquer ato discriminatório cometido por membro de sua comunidade. “Racismo e injúria racial são crimes graves, que devem ser apurados pelas autoridades competentes, nos termos da lei”, afirmou a instituição.
Estadão Conteúdo