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Política & Poder

Estudantes protestam em 11 estados contra Flávio e EUA

Atos, que seriam de comemoração pela reeleição de Lula, foram ampliados e ganharam novo foco após a semana pós-eleição.

Redação Jornal de Brasília

02/11/2026 9h28

flavio bolsonaro e donald trump foto divulgacao redes sociais

Foto: Reprodução/X

Estudantes protestaram em 11 estados e no Distrito Federal no último domingo (1º) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e contra interferência dos Estados Unidos nas eleições do país. Os atos, convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE), também criticaram a violência política e ameaças a povos indígenas.

A mobilização, que originalmente celebraria a reeleição do presidente Lula (PT), teve o foco alterado pela entidade após os acontecimentos da semana seguinte ao pleito. A UNE decidiu colocar no centro dos protestos a carta na qual Flávio Bolsonaro, após deixar o Brasil e chegar a Miami, se apresentou como “verdadeiro presidente eleito”.

A presidente da UNE, Bianca Borges, afirmou que a conjuntura impediu que os atos tivessem apenas um caráter festivo. De acordo com a dirigente, os protestos se alastraram de nove estados planejados para 11, com a inclusão do Maranhão.

Em São Paulo, a concentração reuniu dezenas de pessoas ao meio-dia na praça Roosevelt. Além das críticas ao bolsonarismo e ao papel dos EUA, participantes defenderam a reforma agrária e atacaram o latifúndio.

O estudante Ramon Pereira Machado, de 25 anos, disse que membros do movimento usavam máscaras sanitárias para proteger suas identidades. Ele relatou casos de violência durante as eleições e disse que integrantes perderam empregos após se posicionarem politicamente.

No Rio de Janeiro, jovens se reuniram em uma praça próxima à igreja da Candelária. A deputada federal reeleita Jandira Feghali (PCdoB) chamou Flávio Bolsonaro de “fujão” e declarou: “Viramos símbolo antifascista no mundo”.

O protesto carioca também teve críticas ao governador eleito Douglas Ruas (PL), aliado de Flávio, e discursos em defesa dos povos indígenas. Bianca Borges citou denúncias de ataques e intimidações contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, onde o Ministério Público Federal investiga o aumento de episódios violentos.

Durante o ato em São Paulo, Borges defendeu a recomposição do orçamento das universidades públicas e políticas de permanência estudantil. “Nós democratizamos o acesso ao ensino superior. Só que, sem permanência estudantil, a vaga é só uma porta-giratória, uma exclusão adiada”, disse.

O deputado estadual eleito Eduardo Suplicy (PT) discursou em defesa da renda básica de cidadania. O ex-presidente do PT José Genoino acompanhou a manifestação e afirmou que atos de rua seguem como motores da luta política.

Manifestantes ainda criticaram o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Um cartaz pedia o impeachment do prefeito, iniciativa apresentada pelo PSOL na Câmara Municipal sob acusação de descumprimento de ordem judicial sobre a circulação da frota de ônibus no segundo turno.

Mobilizações em Salvador e Brasília estavam marcadas para segunda (2) e quarta-feira (4), respectivamente.

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