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Brasil

Professores de educação física protestam contra criação do monitor de esporte

Arquivo Geral

06/05/2010 19h09

O Movimento pela Valorização do Professor de Educação Física (Movapef) lotou, hoje (6), o auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, para protestar contra o artigo 90-E do projeto de lei que altera a Lei Pelé. O artigo cria o cargo de monitor de esportes, que poderá ser exercido por qualquer atleta que seja federado por três anos consecutivos ou cinco anos intercalados, sem a necessidade de ser formado em educação física.

Estiveram presentes no ato o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), autor da proposta de emenda de retirada do artigo, o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB), o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) e a deputada federal Solange Amaral (DEM-RJ), além dos esportistas Georgette Vidor e Robson Gracie e de representantes da categoria. A grande maioria dos manifestantes era de estudantes de educação física.

Para o senador Marcelo Crivella, “há uma pressão do governo para aprovar a lei como está, para gerar mais empregos”. Os representantes do sindicato consideram o artigo 90-E inconstitucional e eleitoreiro e acreditam que ele pode ser aprovado por causa da influência de ex-atletas ilustres.

Para o presidente do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro (Cref-1), Écio Madeira Nogueira, a criação dos monitores de esportes vai de encontro com a qualidade dos exercícios físicos oferecidos à sociedade, apresentando risco à saúde e à vida dos cidadãos.

O deputado Otávio Leite lembrou que os já baixos salários da categoria seriam ainda mais ameaçados pelo aumento da mão de obra desqualificada. “É direito da população ter profissionais adequados e qualificados. Essa emenda diz respeito à dignidade da categoria e é necessária para o bem da sociedade”, afirmou.

Uma das faixas levadas pelos manifestantes resume a visão do movimento sobre o monitor de esportes: “Profissionais de educação física, mais do que repetidores de movimento”.

A deputada Solange Amaral também defendeu a profissão. “Essa lei surge justo agora que a educação física está se afirmando, se tornando objeto de pesquisas em todo o mundo e que criou um mercado de trabalho forte. É preciso se desenvolver e estudar muito as ciências biomédicas, a pedagogia da atividade, a formação do atleta. Não existe monitor. Existe o profissional e o estudante de educação física. O resto é golpe, é bola fora, é gol contra”, disse.

A votação, no Senado, do projeto de lei que altera a Lei Pelé, está prevista para a próxima quarta-feira (12). O Movapef promete organizar uma viagem à Brasília para pressionar os parlamentares pela retirada do artigo.

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    Arquivo Geral

    06/05/2010 7h58

    Professores de educação física de todo o estado do Rio se reúnem hoje (6), a partir das 14h, em frente à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em ato público contra o Artigo 90 E da Lei Pelé, que cria a figura do monitor de esporte.

    O coordenador do Movimento pela Valorização do Profissional de Educação Física, Sergio Tavares, disse que o objetivo é suprimir o artigo, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, “por pressão da bancada do futebol”, e irá ainda à votação no Senado.

    O movimento é apoiado por entidades representativas da atividade, entre elas o Conselho Regional de Educação Física (Cref 1) e o Sindicato dos Profissionais de Educação Física (Sinpef), que consideram a lei inconstitucional.

    Para Tavares, a criação do monitor de esporte tem caráter eleitoreiro, na medida em que irá beneficiar ex-atletas sem formação profissional, oriundos especialmente do futebol, “pelo simples fato de terem mantido contato com um esporte de rendimento”. Na sua opinião, o artigo tenta desqualificar a Lei 9696 de 1998, que criou a profissão de professor de educação física, com exigência de curso de graduação de nível superior.

    A educação física praticada no Brasil é referência no mundo inteiro, lembrou Sergio Tavares. Ele acredita que a criação do monitor de esporte poderá significar o desemprego de milhares de profissionais em todo o país. Somente no estado do Rio, cerca de 30 mil professores de educação física estão credenciados pelo Cref 1 e há mais de 40 faculdades de educação física. No país, esse número ultrapassa 300 faculdades, de acordo com dados do conselho.

    “Você imagina, de uma hora para outra, às vésperas do compromisso do segmento perante uma Olimpíada e uma Copa do Mundo, a gente se desqualificar indevidamente, quando deveria estar preocupado em qualificar ainda mais o nosso quadro. Querem transformar a Copa do Mundo em um espetáculo de pão e circo”, desabafou Tavares, acrescentando que o Artigo 90 E da Lei Pelé é inconstitucional e representa um retrocesso.

    “Então, o que nós vamos fazer é lembrar isso aos políticos em audiência pública. É lembrar o custo político de não se posicionar devidamente, representando os interesses não só do Rio de Janeiro, mas de todo o país. A idéia é fazer uma corrente nacional contra esses oportunistas que não estão defendendo os interesses nem dos desportistas”, afirmou.

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