Menu
Brasil

Professor aponta erros e pede laudos de peritos particulares em defesa de brasileira na Suíça

Arquivo Geral

16/02/2009 0h00

Pedro Estevam Serrano, page professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acha que o Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, na Suíça, errou ao divulgar o  laudo médico sobre o caso da advogada brasileira Paula Oliveira, de  26 anos, e aconselha  as autoridades brasileiras a contratarem peritos particulares para examinar a pernambucana e garantir equilíbrio e transparência nas investigações.


Paula afirma ter sido atacada por três skinheads neonazistas, na última segunda-feira, em uma estação de trem nos arredores de Zurique. Devido aos chutes e agressões com estilete contra seu corpo – onde os criminosos teriam desenhado símbolos nazista s–, a brasileira afirma ter sofrido um aborto no banheiro da estação.


Mas a polícia de Zurique informou  que exames médicos realizados pelo Instituto de Medicina Forense comprovaram que ela não estava grávida no momento da agressão que teria sofrido na estação de trem e colocou em dúvida  a autoria dos ataques, deixando transparecer que a brasileira poderia ter se autoflagelado


“Três graves erros”
Para o professor de Direito da PUC, o instituto suíço cometeu pelo menos “três graves erros” ao divulgar o parecer à imprensa. “Feriram o sigilo médico, que só pode ser quebrado por razões sociais”, explica ele E há também contradições na conduta das autoridades suíças, garante Serrano. “Se a própria polícia suíça decretou sigilo no caso, o instituto não poderia tornar públicos os laudos médicos que são parte da investigação. Eles nunca poderiam ter dado entrevistas antes da conclusão da investigação”.


Serrano também critica a precipitação do instituto na divulgação de dados, antes de um psiquiatra avaliar a brasileira. “Emitiram opinião antes mesmo de terminar as diligências médicas e psiquiátricas. Não poderiam ter tirado conclusões antes que um psiquiatra a atendesse, pois a mulher está em estado de choque”.  “É preciso que se faça um laudo imparcial para tirar essa impressão de armação contra uma brasileira na Suíça”, afirma Pedro Serrano.


Ex-presidente da Associação Brasileira de Medicina Legal e legista do Instituto Médico-Legal do Distrito Federal por 16 anos, Anelito Resende também saiu em defesa de Paula Oliveira, achando muito difícil ela ter feito os ferimentos em si própria. Segundo ele, automutilações costumam não ter a precisão dos cortes apresentados pela brasileira. “Quando alguém vai se automutilar não capricha, faz vários riscos com certa urgência”, garante Resende.

Se mentiu, Paula vai ser indiciada
“Eu nunca vi uma história como essa e, seja qual for o resultado, ela já é trágica.” A declaração é do comandante da polícia de Zurique, Phillip Hotzenkocherie. Ele confirmou que a brasileira Paula Oliveira pode ser indiciada criminalmente se forem confirmadas as suspeitas de que ela armou uma farsa.


“Se tudo isso for confirmado, a brasileira terá de passar por uma ajuda psicológica”, afirmou Hotzenkocherie.

Paula disse ter sido atacada por três skinheads neonazistas  na Suíça, na segunda-feira da semana passada e  que eles teriam feito cortes por todo o seu corpo. Ela afirmou, ainda,  que depois do ataque teria sofrido um aborto.

A polícia e a perícia suíças desmentiram o aborto, garantindo que Paula nunca esteve grávida, e colocou em dúvida os supostos ataques.

No entanto, a mesma polícia disse, no sábado, que as investigações sobre o caso ainda não foram concluídas e seguem em andamento em todas as direções.

Também no sábado, o pai de Paula, o advogado pernambucano Paulo Oliveira, falou com jornalistas mas não quis confirmar ou desmentir as informações dadas pela filha à polícia. Segundo ele, Paula está em estado psicológico “muito grave” e não é hora de tratar desses assuntos. O pai disse que a hora é de cuidar da saúde dela.

Paulo Oliveira desmentiu, no entanto, que esteja pensando em contratar um advogado suíço para acompanhar as investigações policiais ou que estaria prestes a voltar ao Brasil, com a filha, para fugir de uma eventual punição no caso de se provar que ela mentiu. “Isso nunca passou pela minha cabeça”, disse o advogado. Para ele, Paula é “a maior vítima de toda essa história” e o que se quer é que as investigações policiais sejam levadas às últimas consequências para se saber a verdade.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado