Uma festa de réveillon gratuita, com shows de bandas famosas, barraquinhas de bebida e uma grande queima de fogos em um dos cartões-postais de São Paulo. Um evento para ninguém botar defeito, certo? Bem, quando o ponto turístico é a Represa do Guarapiranga – um dos mananciais mais importantes da Região Metropolitana e um dos poucos refúgios de vida silvestre na capital -, não é bem assim.
Moradores e ambientalistas estão preocupados com o primeiro réveillon organizado pela Prefeitura de São Paulo na orla da Represa do Guarapiranga – um dos mananciais mais importantes da Região Metropolitana e um dos poucos refúgios de vida silvestre na capital paulista. O argumento é que o grande número de pessoas e a poluição sonora e visual nas festas em geral – que começaram a ser realizadas no local há 3 anos – poluem a represa e perturbam a fauna nativa.
A maior preocupação são os fogos de artifício: a Prefeitura promete um grande espetáculo, mas ambientalistas temem os efeitos nos animais silvestres, principalmente nas 270 espécies de pássaros.
“A Guarapiranga tem a maior concentração de aves e animais silvestres da cidade, sem contar os pássaros migratórios que chegam no verão. Você pode imaginar o dano ambiental que essa enorme queima de fogos pode causar onde os bichos se reproduzem”, diz a diretora da organização não-governamental (ONG) Fiscais da Natureza, Ângela Alves.
Regras
Os moradores dizem ainda que houve uma tentativa de criar uma comissão com a Prefeitura e estabelecer regras para realizar eventos no local – que incluiriam a proibição de fogos de artifício. Mas a comissão nunca saiu do papel. Segundo a Prefeitura, a comunidade montaria a comissão para dar prosseguimento aos entendimentos sobre eventos na Guarapiranga, mas nunca definiu os integrantes do grupo.
A Prefeitura não respondeu às perguntas sobre os possíveis danos ambientais. Segundo nota da assessoria, grades impedem a aproximação de pessoas nas margens. No fim da festa, equipes de limpeza cuidam da área. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.