A Polícia do Pará mandou homens de Belém, Marabá e Altamira para o município de Anapu, no sudoeste do Estado, onde a extração ilegal de madeira por empresas da região provocou o fechamento das estradas vicinais de acesso ao Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, criado pela missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005 por pistoleiros.
O padre Amaro Lopes, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Anapu, disse que caminhões, carregando toras de madeira, estavam saindo do assentamento antes do bloqueio feito pelas famílias de agricultores. Ele informou que o clima é tenso e há iminência de um confronto entre madeireiros e agricultores.
Os procuradores da República Alan Mansur e Daniel Azeredo Avelino pediram que a invasão dos madeireiros no PDS Esperança seja investigada. “O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) nada faz para impedir esse crime”, afirmou Lopes. Segundo ele, as invasões para a retirada de madeira ocorreram durante todo o ano passado. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentado (Ibama) flagrou a ação dos madeireiros e aplicou diversas multas, mas isso não inibiu a derrubada da floresta.
Em agosto do ano passado, depois que dois veículos de madeireiros foram incendiados, o Ministério Público Federal (MPF) chegou a pedir apoio da Força Nacional para garantir a segurança na região. Até hoje isso não ocorreu. A falta de policiamento causou perigo inclusive aos fiscais ambientais e o governo paraense na época não fortaleceu a presença policial na região.
Lopes explicou que os trabalhadores decidiram bloquear as estradas como forma de pressionar o Incra a dar mais atenção à região, e construir guaritas nas estradas que dão acesso ao PDS, para controlar a entrada e saída de veículos. A direção do Incra em Santarém não quis se manifestar sobre o bloqueio em Anapu, área sob sua jurisdição. Um assessor informou que a superintendente do órgão, Cleide de Souza, estava em reunião e não havia ninguém para prestar informações.
O capitão Márcio Abud, que responde pela Companhia de Policiamento Militar (PM) de Anapu, já se deslocou para o assentamento com dez homens. Ele fará uma avaliação da situação e, se houver necessidade, acionará o efetivo militar da Companhia Regional da PM de Altamira, que já se encontra de prontidão. Além disso, um efetivo da PM de Marabá, em torno de 30 homens, também poderá ser acionado.