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Brasil

PM reprime protesto contra enchentes na zona sul de SP

Arquivo Geral

26/01/2011 8h17

A Polícia Militar reprimiu com violência um protesto contra enchentes no Jardim Germânia, região do Capão Redondo, zona sul da capital paulista, na noite de ontem. Os manifestantes, cansados de perder móveis e eletrodomésticos nos seguidos transbordamentos do Córrego dos Freitas, atearam fogo em pneus e montes de lixo acumulados na rua. A Força Tática usou balas de borracha e gás de pimenta para dispersar os moradores. Sete homens foram presos e um adolescente foi apreendido.

“Sempre que chove a rua alaga e perdemos tudo. Faz 20 anos que isso acontece. Passou Maluf, Erundina, Pitta, Marta, Kassab, e ninguém resolve”, disse o confeiteiro Lélio Pereira da Silva, 40 anos, enumerando no dedo as gestões municipais. Os moradores querem a canalização do Córrego dos Freitas, cujo projeto, feito em 2007, por R$ 247 mil, ainda não saiu do papel.

A Força Tática chegou por volta das 23 horas à Avenida Agostinho Rubin, altura do nº 200. Segundo o sargento Andrade, do 1º Batalhão Metropolitano, os policiais tentaram dialogar, mas foram recebidos a pedradas e obrigados a usar armas não letais para dispersar a manifestação. Os moradores dizem que a polícia já chegou usando todos os meios para desmobilizá-los. “Eles estavam gritando para a polícia parar, pois tinham crianças sufocadas com o gás pimenta”, disse Rejane Marta, 40 anos.

“Eles foram presos por interdição de via pública, desacato, incêndio e dano a bem público”, explicou o sargento Andrade. Após serem ouvidos pela delegada do 92º Distrito Policial, no Parque Santo Antônio, todos assinaram um termo circunstanciado por desacato e foram liberados.

Jogo de empurra

Segundo o mestre de obras João Batista Rodrigues da Silva, 44 anos, o bairro é prejudicado por um jogo de empurra entre as subprefeituras do Campo Limpo e do M’Boi Mirim. O córrego fica na divisa entre as duas e, de acordo com ele, ninguém assume a responsabilidade pela limpeza das margens. “Enquanto eles brigam, a gente continua sofrendo”, disse. “Depois das enchentes a Prefeitura vem, dá um colchão e uma cesta básica. Mas na próxima chuva a gente perde tudo de novo”.

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