A Polícia Federal (PF) desmantelou nesta quarta-feira uma organização internacional de narcotraficantes formada por brasileiros, bolivianos, colombianos, africanos e europeus que enviava cocaína procedente da Bolívia à Europa e à África, informou a corporação.
A quadrilha, que utilizava aviões com compartimentos falsos para transportar suas cargas e era dirigida por dois irmãos colombianos, foi desmantelada após um ano e meio de investigações nas quais colaboraram autoridades de vários países sul-americanos e europeus, segundo um comunicado da Polícia Federal.
A PF, que em operações anteriores já tinha detido 22 integrantes da organização criminosa com 2,35 toneladas de cocaína, desferiu o golpe final nesta quarta-feira ao deter outras 20 pessoas em ações efetuadas em 38 pontos dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A chamada “Operação Deserto” foi determinada por juízes federais, que expediram 50 mandatos de prisão. Segundo as autoridades, sete pessoas listadas pela operação são estrangeiros que estão no exterior e são procurados pela Interpol. Apenas um suspeito que estaria no Brasil foi declarado foragido.
Os encarregados da investigação revelaram que para trazer a cocaína da Bolívia ao Brasil, a quadrilha usava aviões que tinham sido adaptados com fundos falsos na fuselagem e nas asas, e que podiam transportar até 250 quilos da droga por voo. Duas das aeronaves foram confiscadas, uma delas nesta quarta-feira.
Segundo as autoridades, a cocaína era transportada até pistas clandestinas de aterrissagem no estado de São Paulo, de onde era enviada por diferentes vias a países europeus e africanos, ou distribuída no mercado interno.
A PF calcula que a organização criminosa tenha movimentado cerca de R$ 28 milhões nos últimos dez meses.
Nos 18 meses de investigações que precederam a operação desta quarta-feira, a Polícia Federal apreendeu 2,35 toneladas de cocaína, grande quantidade de precursores químicos, equipamentos de laboratório, 10 granadas, 33 veículos, uma aeronave e cerca de R$ 500 mil em dinheiro.
Entre os presos está Massao Ribeiro Matuda, um advogado e assessor parlamentar do Conselho Municipal de Pereira Barreto, cidade do interior paulista.
Os integrantes da organização serão processados por tráfico internacional de drogas e precursores químicos, formação de quadrilha e tráfico internacional de armas de fogo, segundo a PF.