Os resultados mostram que 41% das meninas de oito anos e filhas de mães obesas também apresentavam obesidade, enquanto apenas 4% das filhas de mães magras apresentaram o problema. Nesses casos, os meninos não sofreram influência da obesidade da mãe.
No grupo de meninos, 18% dos que tinham o pai obeso também estavam acima do peso. Entre os meninos que são filhos de pais magros, o percentual de obesidade caiu para 3%.
Assim como no outro grupo, as filhas meninas não sofreram influência da obesidade do pai.
Segundo os pesquisadores, o vínculo descoberto sugere uma espécie de “simpatia comportamental”, em que meninas repetem os hábitos da mãe e meninos, os do pai.
Além dos fatores genéticos, acreditava-se que existia uma relação comportamental entre filhos e pais obesos, mas não havia comprovação. Outro estudo da mesma equipe, envolvendo o mesmo grupo de crianças, realizado em 2005, mostrava que as mães obesas que tinham filhas gordinhas não estavam preocupadas com o peso da criança, ao contrário das mães magras que tinham filhas gordinhas. A mesma relação foi observada nos pais obesos.
O endocrinologista Bruno Geloneze, pesquisador de obesidade e diabetes da Universidade Estadual de Campinas, diz que o estudo reforça a necessidade de educação dos pais. “Os esforços para educar a criança para que ela não se torne obesa são válidos, mas a criança segue o exemplo que ela tem em casa. Em termos práticos, faz pouco sentido recomendar mudanças de hábito para as crianças, se não houver total envolvimento dos pais.”