Criada há 10 anos na favela carioca da Cidade de Deus, clinic a Central Única de Favelas (Cufa) é formada essencialmente por jovens. A ONG, hoje presente em todo o Brasil, é uma mostra do que revela a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase): grupos religiosos, culturais e esportivos são a segunda forma de participação social da juventude.
No relatório, dos 8 mil entrevistados, 28% faz parte de algum desses grupos, enquanto apenas 1% participam de partidos políticos. Para o coordenador-geral da Cufa-DF, Max Maciel, o resultado demonstra que o interesse pelas organizações não-governamentais é uma forma mais eficaz de expressão dos jovens.
“Eles não buscam essas organizações para se tornar grandes músicos ou grandes atletas, mas para serem vistos, serem ouvidos, terem sua forma de se expressar compreendida, coisa que hoje pouca gente faz”.
A falta de propostas novas para a sociedade é, para Maciel, o principal argumento para que o jovem não se sinta representado e busque outras formas de participação na sociedade.
“A Cufa tem um leque amplo de atuação – esporte, cinema, musicalidade, seminários, prêmios. Os jovens procuram isso porque os partidos políticos não têm mais o que dizer para a sociedade. Eles têm um histórico de enfraquecimento porque realizam coisas que não são boas e a gente sabe disso. O jovem entende que aquilo não o representa como representava há três décadas”, afirma.
Iasser Magalhães, ou Codó, tem 18 anos e faz parte do grupo de rap Voz Ativa, ligado à Cufa. Morador da Estrutural, comunidade de baixa renda do Distrito Federal, o jovem conheceu a ONG por meio de um site de relacionamento e gostou dos projetos. Ele conta que amigos da sua comunidade deixaram as drogas com ajuda do rap religioso.
“Tenho vários colegas que deixaram a criminalidade e as drogas ao verem a atitude de artistas de rap gospel. Eles já gostavam do rap nacional, mas quando viram a atitude deles, de não usar drogas e transmitirem uma mensagem legal, isso serviu de estímulo e eles saíram”, ilustra.
No entanto, ele explica que o uso de drogas independe do gosto pelo rap. “Eles já usavam e gostavam de rap, mas quando conheceram o gospel, pararam de usar”.