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Brasil

Paraenses querem educação como prioridade para valorizar riquezas naturais do estado

Arquivo Geral

04/10/2010 17h57

Um dia após a eleição, a capital paraense já começa a respirar não só o clima de segundo turno, mas as expectativas de que os novos governantes solucionem os problemas históricos do estado que, apesar das muitas riquezas naturais, é carente dos benefícios proporcionados pelo desenvolvimento econômico.

É quase unanimidade entre os moradores de Belém a bandeira da educação. No entanto, apesar de incluído em todos os discursos políticos, para a população, o tema não parece presente nas ações dos que já governaram o estado.

“A educação, por aqui, nunca recebeu investimentos realmente satisfatórios por causa do compromisso que boa parte da classe política tem com a ignorância. É por meio dela [a ignorância de parte da população] que se favorece a corrupção e os desmandos políticos e sociais”, disse a teóloga Eurides Obalski, de 49 anos, durante passeio na Estação das Docas, um dos pontos mais visitados por turistas e moradores da cidade.

Eurides ressalta que sua observação não se restringe a um ou outro governo, “mas a todos que já governaram o Pará”.

Sobre o próximo governo, Eurides, que mora em Ananindeua, região metropolitana de Belém. diz esperar que dispense mais atenção às questões básicas da população, como saúde, educação, saneamento e moradia. “Mas a coisa não pode ser feita visando apenas à aparência, como computadores e prédios. É importante que se invista em professores, formação e também em conhecimento, para que possamos aproveitar nossas riquezas [naturais] de forma a agregar valor a elas”, argumentou.

Aos 26 anos, Tayane Cid estuda artes visuais na Universidade Federal do Pará (UFPA) e faz estágio em um museu e em um clube da cidade. Educação, para ela, deve estar entre as prioridades do próximo governante. “Mas acho que a saúde também precisa ser muito melhorada, tanto nos aspectos de infraestrutura como no de serviços”, afirmou. “Sei disso porque tenho parentes que vivenciaram problemas desse tipo”, acrescentou.

Tayane também lamenta que a classe política paraense inclua esses temas apenas nos discursos. “O conhecimento precisa retornar à comunidade. E, por aqui, o que acontece é que a maioria das pessoas que se formam acaba indo para fora porque não há mercado de trabalho”.

Sem estudo, pouco resta ao cidadão. É o caso do aposentado Valderi Martins, de 66 anos, que, para sobreviver, vende qualquer coisa que tenha em mãos, no mercado popular Ver-o-Peso. Analfabeto e mancando por causa de um machucado no pé, causado pela velha sandália que usava, Martins define o que espera do próximo governo em apenas uma palavra: “tudo”.

Ee apontou como prioridade a segurança. “Eu não votei ontem (3) porque roubaram todos os meus documentos aqui na feira. Em todo canto onde a gente corre tem ladrão”, disse ele.

A poucos metros dali estava o coletor de lixo Walter Antônio de Souza, de 30 anos. “Consegui estudar até o primeiro ano do segundo grau. Acho que o que falta aqui no Pará é melhorar a saúde e a segurança. Os postos de saúde precisam de estrutura básica, tanto para os médicos como para a população”, disse. “Tem também a educação, né. Sem ela acontece isso: muita criança na rua e sem escola”, acrescentou.“Ninguém nunca melhorou segurança e educação no Pará”, afirmou o coletor de lixo. “Eles [políticos] falam muito, mas nunca fazem nada.”

Profissional da área de segurança, o guarda municipal Victor Gusmão, de 19 anos, disse ter completado o segundo grau. “Guardo até hoje alguns ensinamentos que tive na escola. Um deles é justamente sobre o quanto a educação é importante. Lembro ter ouvido que as panelas de aço inox, que vêm de São Paulo, foram feitas com material daqui. Acho que nosso estado tem tudo para ser muito rico. Só falta preparar gente que dê conta do serviço”, afirmou.

“Infelizmente o povo daqui vota por conhecer o candidato, ou por ter ganho tijolo ou alimento dele. Poucos votam por ideologia. E muitas vezes acham que obras são mais importantes do que coisas não materiais, como a ciência e a tecnologia, que podem nos ajudar a fazer as coisas aqui mesmo, em vez de comprar de fora”, completou o guarda.

Sobre sua área de atuação – a segurança pública – é taxativo: falta investimento em capacitação e valorização dos agentes. Com salário de R$ 1,7 mil, lamenta ter de morar na periferia, onde volta e meia encontra pessoas que, em algum momento, teve de prender. “Quando isso acontece, a gente vira o rosto e tenta se esconder”.

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