O Brasil registrou nos primeiros dois meses deste ano 165 casos suspeitos de gripe suína. Outras 121 pessoas foram hospitalizadas, com síndrome respiratória aguda. Os números foram apresentados pelo secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, ontem, durante palestra para empresários sobre a Campanha de Vacinação contra a Influenza A. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez um apelo para que as empresas ajudem na divulgação da campanha.
Das 91 milhões de pessoas que integram os sete grupos escolhidos para serem vacinados, 60 milhões estão em idade produtiva. A primeira fase da vacinação começou segunda-feira para profissionais de saúde e grupos indígenas. A partir do dia 22, será a vez de gestantes, pessoas com doenças crônicas e crianças de seis meses a menores de dois anos.
O ministério organizou um sistema para avisar as pessoas, por e-mail, a data de vacinação do grupo prioritário. O cadastro pode ser feito no site do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br). Até o início da tarde de ontem, 12.800 inscrições tinham sido feitas.
Empresas interessadas poderão, como ocorreu na vacinação contra a rubéola, organizar vacinações para seus empregados. Segundo Penna, poderão ainda ser montados postos em shoppings. “Mas tudo dependerá da negociação entre autoridades locais de saúde e empresas. A criatividade das empresas dependerá do limite da capacidade operacional.”
O ministro afirmou estar convicto de que a população comparecerá aos postos de vacinação. Além da tradição em outras campanhas, Temporão citou uma pesquisa realizada entre dias 20 e 24 de fevereiro com 1.300 pessoas de 352 cidades do País. Dos entrevistados, 71% afirmaram acreditar na vacina e 84% disseram que gostariam de tomá-la.
clínicas particulares
As clínicas particulares de vacinação só devem começar a imunizar contra a gripe suína em abril. As empresas acreditam que, até o próximo mês, os laboratórios que produzem as doses conseguirão o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para vender o produto ao setor privado. O valor unitário ainda não foi definido – estima-se algo entre R$ 60 e R$ 90.
Segundo a Anvisa, três laboratórios têm autorização para comercializar a vacina no Brasil: Instituto Butantã, GlaxoSmithKline (GSK) e Sanofi Pasteur. Para a campanha nacional promovida pelo Ministério da Saúde, o governo comprou doses monovalentes (com apenas o vírus H1N1 atenuado). Nas clínicas particulares, será oferecida uma vacina trivalente, composta por cepas do H1N1 pandêmico e de outros dois tipos de vírus influenza que circulam no Hemisfério Sul.
Os laboratórios precisam apresentar um dossiê à Anvisa para obter o registro dessa nova vacina trivalente.