A diretora da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), Mirta Roses, recomendou que a América Latina compre em bloco a vacina contra a nova gripe, que deve estar pronta em novembro, em declarações publicadas hoje pelo jornal “El Comercio”.
“É melhor ir em bloco para uma melhor negociação. Isto facilitará aos produtores a programação” para sua distribuição, disse ao rotativo a diretora da OPS, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Mirta disse que a OPS terá uma negociação com os produtores da vacina contra a nova gripe “sobre a disponibilidade e preço para garantir um acesso”, mas afirmou que, “até com os prognósticos mais otimistas, não se superará a produção de cerca de 80 a 90 milhões de doses por semana”, o que gerará problemas de distribuição em nível mundial.
A especialista explicou que o desenvolvimento da vacina contra a nova gripe “foi difícil”, porque o vírus “teve caráter próprio e não permitiu ser reproduzido em condições de laboratório para passar à etapa industrial”.
Acrescentou que também existem problemas em torno de como será preparado, se será aplicada uma ou duas doses, e enfatizou que vai ser distribuída entre os grupos que apresentarem mais risco de contrair a doença.
A funcionária considerou que a OMS não foi alarmista ao emitir os sinais de alerta e alerta máximo após o surgimento e propagação do vírus A (H1N1), causador da doença, e negou que o alarme tenha favorecido o negócio dos laboratórios que vendem o antiviral Tamiflu.
Houve muitos países “que, pressionados pela opinião pública, se sentiam inseguros com milhões de tratamentos” (contra a nova gripe), disse, após elogiar o Peru por ter gerido “de maneira adequada” as previsões, ao se limitar a comprar 120 mil tratamentos de oseltamivir e ter utilizado apenas 10 mil deles até o momento.