A ONG Rio de Paz sugeriu nesta sexta-feira que o Estado proponha a rendição aos traficantes escondidos no bloco de favelas cariocas Complexo do Alemão, para assim evitar um “banho de sangue”.
Em comunicado, a ONG pede que as autoridades concedam um prazo para que os bandidos entrincheirados no complexo de favelas do Alemão se rendam, deponham as armas e se entreguem “antes que haja a provável operação policial que está para ocorrer”.
A ONG, que se dedica a denunciar os abusos de violência cometidos tanto pelas autoridades quanto pelos criminosos nesta cidade brasileira, argumentou que se poderiam preservar “centenas de vidas”.
“A probabilidade de banho de sangue é concreta, caso haja resistência por parte dos narcotraficantes. O Rio de Paz quer evitar, entre outras coisas, cenas de pais e mães carregando no colo corpo ensangüentado de filho morto”, diz a nota.
De acordo com a entidade, a invasão da favela Vila Cruzeiro, realizada por policiais com o apoio de veículos blindados da Marinha, pode ter um “efeito emocional e dissuasório de ação inédita” que poderia contribuir para a rendição dos traficantes que fugiram à favela vizinha.
A Rio de Paz considerou essa operação um “êxito”, já que se evitaram vítimas mortais, segundo os balanços da Polícia, já que os criminosos preferiram fugir a enfrentar frontalmente os veículos blindados.
O presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, aplaudiu que “nunca tantos anelaram pela vitória sobre o crime organizado”, mas advertiu que também “nunca tantos” quiseram essa vitória “a qualquer preço”, o que qualificou como uma “grande ameaça à democracia”.
“A mínima possibilidade de vitória sem derramamento de sangue impõe o dever imperioso de darmos chance à solução pacífica”, acrescentou Costa na nota.
A Polícia e o Exército cercaram nesta sexta-feira os acessos ao Complexo do Alemão para evitar a fuga dos inúmeros bandidos que nela se escondem.
No entanto, as autoridades do Rio rejeitaram esclarecer se pretendem invadir ou não este complexo de favelas e se limitaram a afirmar que sua missão é manter a segurança na área.
Segundo o último boletim da Polícia Militar, a ofensiva deixou desde segunda-feira 31 mortos e 192 detidos, mas o número pode ser maior porque não inclui as ações de outras forças policiais nem o balanço dos mortos em hospitais.