Menu
Brasil

ONG de SP pedirá para MP investigar ‘rodeio das gordas’

Arquivo Geral

27/10/2010 18h01

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) vai investigar as agressões contra estudantes no chamado “rodeio das gordas”, ocorrido durante encontro de alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), entre 10 e 13 deste mês, em Araraquara, no inteiro paulista. O pedido de apuração deve ser encaminhado manhã pela Organização das Nações Unidas (ONU) Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Sexualidades (NEPS), de Assis, à promotoria de Justiça de Araraquara.

Alguns dos organizadores e pelo menos duas das estudantes que foram vítimas da brincadeira moram em Assis e são estudantes do campus da Unesp local. As vítimas não quiseram dar entrevista, mas forneceram à advogada da ONG, Fernanda Rodrigues Nigro, detalhes das agressões. “Elas foram agarradas pelas costas e os estudantes que assistiam gritavam: ‘Pula gorda’.” Uma das alunas caiu durante a abordagem e foi “montada” pelo agressor.

As jovens estão assustadas e traumatizadas, segundo a advogada. Elas relataram que outras estudantes foram vítimas, mas estariam com medo de ficarem “marcadas” no meio universitário caso denunciem as agressões. Alguns alunos que participaram do “rodeio” foram identificados. A advogada fez contato com as promotorias de Assis e de Araraquara. “O caso vai correr por lá (Araraquara) porque foi o local dos crimes.”

O “rodeio das gordas”, que tinha até regulamento postado na internet, consiste em abordar e segurar por até oito segundos as estudantes obesas. De acordo com a advogada, não se trata de brincadeira, mas de crimes graves. “Além do ato de violência física e psicológica que caracteriza o bullying, podemos falar em assédio moral, constrangimento e crimes de discriminação e preconceito.”

O encontro realizado em Araraquara reuniu 15 mil estudantes dos 23 campi da Unesp. De acordo com a ONG, cerca de 50 alunos participaram das agressões. Um dos organizadores, o estudante de engenharia biotecnológica Roberto Negrini, do campus de Assis, disse que era só uma brincadeira. Ele negou participação no assédio às alunas, mas admitiu estar arrependido de ter divulgado o “rodeio” e afirmou que está disposto a ajudar na organização de um encontro anual no campus de Assis para discutir a violência contra a mulher.

Universidade

O vice-diretor do campus de Assis, Ivan Esperança Rocha, afirmou que a instituição não teve participação no evento organizado pelos estudantes. “Nossos alunos viajaram até lá e soubemos do que aconteceu apenas informalmente.” Ele informou que a diretoria tinha decidido abrir uma sindicância para apurar o possível envolvimento de alunos do campus. “São quase dois mil e precisamos saber o que realmente ocorreu.”

Em nota, a Unesp informou que será aberto um processo disciplinar ainda esta semana. “A Unesp repudia práticas de desrespeito entre membros de sua comunidade, mas, a fim de assegurar o cumprimento da lei e das disposições do Estatuto da Universidade, inclusive no que se refere à preservação do direito de defesa dos envolvidos, a administração não se pronuncia sobre procedimentos administrativos desse tipo durante o andamento de seus trabalhos.”

A Associação Atlética Mané Garrincha, principal organizadora do Interunesp 2010, informou não ter tido conhecimento do abuso cometido por estudantes durante os jogos. O presidente Lucas Reis, aluno do 4º ano de Administração Pública, disse que a associação repudia o ato e promete ajudar a identificar os autores. “O fato vai contra o espírito esportivo e de confraternização que é proposto pelo evento.”

Assinaturas

Em Assis, um abaixo-assinado tinha coletado 500 adesões no manifesto de repúdio contra o episódio até a tarde de hoje. De acordo com a advogada da ONG, o objetivo é cobrar providências para que as agressões não se repitam. “Queremos uma reação da comunidade acadêmica.” Na semana passada, o NEPS já havia realizado uma manifestação em frente à Unesp.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado