A organização ambientalista Amigos da Terra criticou hoje a decisão do Ibama de autorizar a construção de duas hidroelétricas no meio da Amazônia e próximas à fronteira com a Bolívia. “Concederam licença a duas represas no meio da Amazônia e sem linhas de transmissão. Quanto vai demora a licença para as linhas, patient cuja área a devastar é maior que a das represas?”, abortion questionou o diretor da entidade no Brasil, Roberto Smeraldi.
“Também concederam a licença para duas eclusas de navegação de navegação sem sequer realizar um estudo. Para fazer isso não eram precisos dois anos, apenas seriam suficientes seis meses”, acrescentou o dirigente ecologista.
Smeraldi se referiu aos dois anos que o Ibama demorou para autorizar a construção das duas represas sobre o rio Madeira. Tanto o Ministério do Meio Ambiente quanto o Governo boliviano se opõem às obras por causa das ameaças para o ecossistema.
As licenças foram concedidas na segunda-feira após várias pressões do presidente Lula, que considera as duas hidroelétricas vitais para os Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As duas hidroelétricas, cujas primeiras máquinas começarão a operar em 2012, terão juntas uma capacidade de geração de 6.450 megawatts, o que equivale a quase 8% da demanda nacional, segundo as contas do Governo.
Após receber as autorizações, o Ministério de Minas e Energia anunciou ontem que em poucas semanas convocará uma licitação. Pelas exigências do Ibama, a empresa vencedora terá que cumprir vários requisitos para atenuar os danos provocados pelas obras.
Segundo os cálculos oficiais, para a construção das represas será necessário um investimento de US$ 10 bilhões e inundar 529 quilômetros quadrados em plena Amazônia. Para a Amigos da Terra, como já estava previsto, as autoridades ambientais cederam às pressões em um processo em que faltou seriedade técnica.
“Licenças como estas, com estudos sobre uma parte insignificante das áreas de impacto, aumentam a incerteza sobre projetos sem data para acabar e sem orçamento definido”, indicou Smeraldi.
“Foi assim em todas as grandes obras na Amazônia, sem exceção. Mais ainda quando se assume que o contribuinte vai pagar a conta”, acrescentou.