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Brasil

O herdeiro

Arquivo Geral

14/11/2010 14h19

Contra as estatísticas e chances, Sebastian Vettel entrou para o rol mais importante para quem segue carreira no automobilismo: é o novo campeão mundial de Fórmula 1. O alemão, com a persistência e vigor de um jovem de 23 anos, lutou até a última corrida para conquistar o inédito título. Em apenas três anos na categoria, o precoce Vettel surpreendeu e, mesmo quando foi apontado como fora da disputa, ressurgiu à frente de sua RB6 para colocar seu nome na história.

Visto como o favorito dentro da equipe, Vettel correu ao lado do companheiro Mark Webber – nem tão companheiro assim, uma vez que a relação entre os dois se revelou não ser das melhores nos bastidores… Mas isto veio acontecer muito depois que Seb teve o seu primeiro contato com um carro.

Natural da cidade alemã de Heppenheim, Vettel nasceu no dia 3 de julho de 1987 e dirigiu o seu primeiro kart ainda aos três anos e meio. O presente de Natal virou a paixão do menino, que tomou conta das pistas com apenas sete anos de idade. A carreira no kart durou oito temporadas, recheadas com títulos conquistados pelo promissor piloto, inclusive o campeonato alemão e também o europeu.

Após as conquistas no kart, foi a vez de se transferir para a Fórmula BMW. Em 2004, no seu segundo ano na categoria, marcou seu nome na história ao vencer 18 das 20 etapas e levar o troféu da temporada para casa. A excelente campanha lhe rendeu o prêmio de piloto do ano da ADAC Motorsport Junior, e a partir daí, o caminho para a Fórmula 1 começou a se traçar.

Em 2005, Vettel subiu para a F-3 Europeia, onde encontrou rivais como Lewis Hamilton, e terminou o ano em sexto lugar. Em 2006, ele melhorou consideravelmente, conquistando o vice. O alemão, na época com apenas 19 anos, teve seu primeiro contato direto com a F-1 ao ser contratado como o terceiro piloto da BMW.

No GP do Canadá de 2007, o segundo piloto da BMW, Robert Kubica, sofreu um acidente e foi substituído pelo alemão na corrida dos Estados Unidos. Aos 19 anos, Vettel entrou na pista e também para a história por ser o piloto mais jovem a pontuar na F-1, ao cruzar a linha de chegada em oitavo. Após a sua rápida passagem pelo time suíço, Sebastian foi para a Toro Rosso, por recomendação do ídolo Michael Schumacher.

Como piloto oficial da Toro Rosso, Vettel cruzou pela primeira vez o caminho de Webber. No GP do Japão, o alemão vinha em terceiro lugar na corrida, atrás do segundo colocado Webber e também do líder Lewis Hamilton. Com a entrada do safety car, um erro de Hamilton levou à freada do australiano, manobra esta que escapou das mãos do alemão, levando a um acidente que tirou tanto Webber quanto ele da corrida.

 

Câmeras posicionadas na pista mostraram as reclamações do piloto da Red Bull e também o choro de Vettel. Apesar do incidente, o alemão da STR teve um bom restante de temporada, ajudando a sua equipe com o sétimo lugar no Mundial dos Construtores.

Em 2008, o alemão continuou na STR e entrou para a história mais uma vez ao ser o piloto mais jovem a conquistar a pole position e a vitória de um Grande Prêmio de F-1 no tradicional circuito de Mônaco. Na segunda metade do campeonato, Vettel foi o piloto que mais pontuou depois de Felipe Massa, mas o título ficou nas mãos do inglês Lewis Hamilton.

Em 2009, Vettel se transferiu para a Red Bull e foi nesta temporada, com um bom carro em mãos, que passou a deixar claro seu potencial. O alemão foi, ao lado de Rubens Barrichello, o maior adversário de Jenson Button, inglês sensação na temporada correndo pela surpreendente Brawn GP, e terminou o Mundial dos pilotos com o vice-campeonato.

Para a temporada 2010 da Fórmula 1, Vettel continuou na escuderia ao lado de Mark Webber com o melhor carro do grid. O alemão era aguardado como um dos grandes nomes para este Mundial e não decepcionou. Já na primeira corrida, no Grande Prêmio de Bahrein, Vettel deu uma prova de como seriam os treinos classificatórios ao longo do ano, anotando a primeira pole das nove conseguidas até a corrida em Interlagos. Forte nos treinos, o pior resultado de Vettel na classificação foi o sexto lugar no GP da Itália.

Mas a grande polêmica que sobressaiu neste ano foi a rivalidade interna na RBR, com Sebastian de um lado e Webber de outro. O experiente australiano por vezes se disse preterido pela equipe, enquanto via Vettel ser o ‘mimado’ dos engenheiros e dirigentes. A birra entre os dois pilotos ficou evidente no GP da Turquia.

A corrida se desenhava para mais uma dobradinha da Red Bull. Webber, que havia largado em primeiro, se mantinha na ponta e era seguido por seu agressivo companheiro. No entanto, Vettel partiu para cima do australiano e houve um acidente entre os dois. C

 

omo resultado, o alemão abandonou a corrida e Webber continuou, mas atrás de Lewis Hamilton e Jenson Button, que herdaram a dobradinha para a McLaren. A partir desta corrida, a rivalidade então resrvada aos boxes se tornou pública.

Vettel foi bastante criticado na época e chamado por alguns especialistas de imaturo. Mas a resposta viria mais tarde. Já no GP do Canadá, o alemão terminou em quarto, venceu o GP da Europa e ainda conseguiu mais três pódios até o recesso de verão da F-1.

No tradicional GP da Bélgica, um erro de Vettel provocou um acidente que tirou Button da corrida e mais críticas caíram sobre o alemão, que já vinha de outra corrida ruim na Hungria. Apesar de sua situação ter ficado difícil, o precoce piloto foi atrás dos resultados e se aproximou do então líder Webber, que perdeu a posição para o ferrarista Fernando Alonso no estreante Grande Prêmio da Coreia, vencido pelo espanhol.

A vitória de Alonso deu ao espanhol as chances de ser tricampeão da categoria ainda no GP do Brasil, a uma corrida do final da temporada. Com dois pilotos ainda na briga, mas com Webber melhor posicionado no campeonato, a Red Bull foi pressionada a favorecer o australiano, algo que não aconteceu.

Na corrida em Interlagos, a RBR declarou que não favoreceria nenhum dos dois pilotos e que não acreditava em jogo de equipe – melhor para Vettel, que não se mostrou nem um pouco disposto a ajudar o companheiro. Vencedor em São Paulo, o alemão conseguiu o improvável, venceu em Abu Dhabi e é o novo campeão da F-1.

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