Apresentado oficialmente como técnico da seleção feminina na manhã desta quinta-feira, o técnico Carlos Colinas vê o basquete brasileiro em decadência nos últimos anos. Questionado sobre a imagem da modalidade na Europa, ele citou antigos ídolos do esporte.
“Está pior nos últimos anos. Eu lembro da época de Janeth, Hortência, Paula. No começo dos anos 1990, o título Mundial e outras conquistas muito importantes. O preocupante é o nível das jogadoras jovens que em poucos anos estarão na seleção adulta”, disse o espanhol, apresentado em São Paulo.
Campeã mundial na Austrália-1994, a seleção ganhou a prata nos Jogos de Atlanta-1996 e o bronze em Sidney-2000. Em Pequim-2008, no entanto, o time nacional superou apenas a seleção de Mali e terminou em um inexpressivo 11º lugar, sua pior colocação nas Olimpíadas.
Depois do fiasco na China, o técnico Paulo Bassul, antecessor de Colinas no cargo, convocou a pivô Alessandra, 36 anos, e a armadora Helen, 37 anos, duas veteranas que já davam a carreira no time nacional como encerradas e retornaram pelas mãos de Hortência, diretora de seleções femininas.
A própria ex-jogadora usou a situação da modalidade nos últimos anos para justificar a contratação de um estrangeiro. “Vocês mesmos da imprensa diziam que o basquete brasileiro não andava bem. Desde que entrei na CBB, quis fazer uma grande mudança e é isso que estamos fazendo agora. Não podemos ter medo de mudar”, disse.
No comando do time sub-16 da Espanha, Colinas foi campeão europeu em 2004, 2005 e 2006. Na equipe sub-18, ganhou o mesmo torneio em 2009. Para o treinador, uma das providências necessárias para o Brasil repetir os feitos do passado é investir nas categorias inferiores.
“Vai ser importante a decisão da CBB de valorizar a forma de trabalhar das seleções de base e dos treinadores, porque tem que haver uma renovação. Precisamos nos recuperar e participar de todas as competições importantes nas categorias de base. Antigamente, o Brasil tinha a melhor liga do mundo. Tomara que volte a esse nível”, afirmou.
Carlos Colinas chegou ao Brasil na última quarta-feira. Antes de ser apresentado oficialmente, ele se reuniu com a comissão técnica e conheceu a estrutura que terá à sua disposição. Apesar de apontar a decadência do esporte nos últimos anos, o espanhol acredita em uma recuperação.
“O Brasil conta com uma estrutura que poucos países têm e trabalhar aqui é a realização de um sonho. Historicamente, a seleção sempre contou com times de primeiro nível. A equipe tem um estilo que não devo mudar. Temos apenas que melhorar algumas coisas para competir em nível mundial”, declarou.
Enquanto a CBB procurava abertamente um treinador estrangeiro, alguns técnicos brasileiros chegaram a manifestar insatisfação, algo que não preocupa Carlos Nunes, presidente da entidade. “Qualquer mudança no status quo provoca reações. Estamos agindo com consciência e queremos até aproveitar para capacitar os técnicos daqui”, disse.