Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (2), pesquisadoras da Agência Espacial Americana, Nasa, anunciou a descoberta de um microorganismo que contem arsênico em sua composição química, substituindo o fósforo, elemento comum à todos os orgânismos terrestres. Nos humanos e na maioria dos seres vivos, o arsênico mataria por asfixia as células do corpo e por isso a importância da descoberta.
A bactéria foi descoberta no lago Mono Lake, na Califórnia. Ela usa arsênico no local de fósforo na formação de seu DNA. A comunidade científica comemora a descoberta, já que assim se expande o potencial de vidas ainda não conhecidas. O arsênico, elemento quimicamente parecido com o fósforo, era considerado, até essa descoberta, responsável por destruir a constituição das células.
A descoberta do microorganismo do Lago Mono muda, definitivamente, os estudos a respeito dos elementos fundamentais da vida. “A definição de vida acabou de ser ampliada”, comentou o administrador da Nasa da missão de ciência Ed Weier. Além disso, essas bactérias seriam resistentes em ambientes contaminados por elementos químicos mortais à todas as formas de vidas conhecidas hoje na terra. A descoberta da bactéria de Mono Lake torna viável a existência de vida em outros planetas, já que, com o arsênico em sua composição elas se tornam ultra-resistentes.
Segundo a astrobióloga Pamela Conrad, a descoberta de um organismo que substitui o fósforo pelo arsênico, elemento até hoje visto como tóxico para a vida, aguçam o pensamento sobre distintas maneiras de vida em todo o universo. Durante a coletiva, a pesquisadora brincou que, a partir de hoje, as escolas terão de ensinar aos alunos sobre novos elementos usados para constituir a vida. A agência salientou ainda que as aplicações práticas desta descoberta, no entanto, levarão tempo para acontecer.