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Brasil

Museu guarda memória de sofrimento e maus-tratos em hospícios de Barbacena

Arquivo Geral

29/06/2010 10h23

As gerações mais novas podem ter uma noção do sofrimento que atingia os internos dos hospícios de Barbacena (a cidade chegou a ter sete instituições desse tipo) por meio de uma visita ao Museu da Loucura, inaugurado em 1996, nas dependências do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena.

 

Trata-se de um pequeno museu, que reúne fotos, relatos e objetos que mostram como era o dia a dia dos internos de Barbacena. O último aparelho de eletrochoque usado em um paciente também está lá.

 

A coordenadora do Museu da Loucura, a pedagoga Lucimar Pereira, conta que o equipamento foi adotado até a década de 90. O aparelho deixou de ser usado depois que uma paciente morreu em decorrência de uma sessão de choques elétricos.

 

Também é possível ver as grades das celas que separavam os internos considerados mais agressivos e uma enorme seringa que era usada para aplicar medicamentos. Segundo Lucimar, a mesma agulha era usada em todas os pacientes, sem qualquer cuidado com a higiene.

 

No museu, os visitantes também conhecem a história de João Adão, o último a sofrer uma lobotomia no hospital. O procedimento radical, que envolve uma cirurgia cerebral, transformava o homem em um “ser vegetativo”, conta Lucimar.

 

Nascida em Barbacena, a coordenadora do museu afirma que a inauguração do espaço, em 1996, causou um mal-estar na cidade. “Tínhamos um preconceito em relação ao hospital e aos doentes. Quando a gente via o azulão na rua, você logo identificava que era paciente, era doido do hospital. A gente tinha medo, tinha receio”, lembra a pedagoga.

 

Segundo Edson Brandão, que pesquisa a história da loucura no município, a vida do cidadão de Barbacena era permeada pela presença do hospital, apesar da distância que sempre houve entre a cidade e a instituição. “Eu tinha horror de entrar nesse lugar. É uma chaga que a cidade leva, até por um erro capital que se cometeu do distanciamento. A cidade sempre esteve muito distante disso aqui. O cidadão barbacenense sente um desconforto em relação ao assunto.”

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