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Kátia Flávia
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Nikolas Ferreira vira vilão da derrota de Flávio Bolsonaro, diz GloboNews

Segundo Valdo Cruz, a campanha do candidato do PL reconheceu que os vídeos do deputado sobre o Nordeste foram um erro eleitoral.

Kátia Flávia

26/10/2026 8h15

Nikolas Ferreira teria sido responsabilizado por integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro pelo desempenho eleitoral, segundo Valdo Cruz.

Nikolas Ferreira teria sido responsabilizado por integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro pelo desempenho eleitoral, segundo Valdo Cruz.

Eu estava aqui no meu Cosme Velho, acompanhando a ressaca eleitoral, quando me deparei com uma daquelas notícias que fazem a gente olhar duas vezes para a tela. Gente, parece que a família Bolsonaro encontrou um novo personagem para explicar a derrota nas urnas. E o escolhido não é nenhum petista. É Nikolas Ferreira, uma das maiores estrelas da própria direita brasileira. Que situação!

Segundo o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro passaram a responsabilizar o deputado federal mineiro por parte do desempenho negativo do candidato em Minas Gerais e no Nordeste. A informação foi divulgada neste domingo (25). O detalhe delicioso dessa história política é que a campanha apostava justamente na popularidade de Nikolas para conquistar votos. Agora, o mesmo aliado que deveria ajudar a ganhar a eleição aparece na avaliação interna como um dos responsáveis pelo prejuízo.

E não fui eu que inventei essa fofoca, meus amores. Valdo Cruz contou que conversou com integrantes da campanha de Flávio. Segundo o comentarista, o grupo acreditava que conseguiria vencer em Minas Gerais, mesmo percebendo uma redução da vantagem eleitoral. A expectativa não se confirmou. No Nordeste, a avaliação teria sido ainda mais incômoda: os vídeos produzidos por Nikolas, inicialmente considerados uma boa estratégia, passaram a ser tratados como um erro.

A confusão começou com a publicação de O Nordeste que foi esquecido, vídeo divulgado pelo deputado na terça-feira (20). Na gravação, cinco moradores de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, relatam dificuldades financeiras e problemas de acesso a serviços básicos. A proposta era criticar o governo Lula. Só que imagens dos bastidores mostraram integrantes da produção orientando enquadramentos e discutindo como retratar os entrevistados. Em determinado momento, uma voz comenta sobre uma mulher: “Ela faz uma cara de coitada, que chega a dar dó”. A divulgação dessas cenas provocou críticas à produção.

Para completar o roteiro, o vídeo ainda perdeu o áudio no Instagram após uma reivindicação de direitos autorais envolvendo a música Grão de Areia, de Rubel com Xande de Pilares. Nikolas classificou a medida como censura. Mas o problema político apontado por Valdo Cruz era outro: o material produzido para atacar Lula teria contribuído, na avaliação de integrantes da campanha de Flávio, para prejudicar o próprio candidato.

Agora, convenhamos, existe uma ironia quase cinematográfica nessa história. Nikolas Ferreira entrou na campanha como uma aposta eleitoral e terminou apontado por aliados como parte do problema. É importante dizer que essa é uma avaliação atribuída à equipe de Flávio, não uma comprovação de que o deputado tenha determinado o resultado das urnas.

E eu fico aqui pensando: na política brasileira, até a escolha do culpado rende disputa. Quando a vitória parecia possível, Nikolas era uma estrela. Depois da derrota, virou assunto de reunião. O curioso é que a popularidade do deputado não desapareceu de uma hora para outra. O que mudou, segundo o relato da GloboNews, foi a avaliação de quem contava com ela para vencer.

Na política, meus amores, o cabo eleitoral de ontem pode virar o bode expiatório de hoje. E sem precisar trocar de partido.

Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira aparecem no centro de uma discussão sobre os resultados da estratégia eleitoral.

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